POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy. Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.
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A transição estilística e metodológica entre Ser e Tempo e as Contribuições à Filosofia marca a passagem de uma fenomenologia técnica e paciente para um estilo poético e fragmentário, focado na historicidade e na crise do Ocidente.
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Mudança da descrição fenomenológica para pronunciamentos alarmantes.
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Vínculo explícito entre a questão do ser e a decisão sobre quem “nós” somos.
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Interpretação retrospectiva de Ser e Tempo não como erro, mas como obra de transição.
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Manutenção da unidade do pensamento através da persistência da questão, apesar da mudança de postura.
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A reavaliação de Ser e Tempo nas Contribuições visa corrigir a impressão de antropologia ou subjetivismo, redefinindo conceitos-chave como cuidado e existência em termos de relação com o ser e não como psicologia.
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Rejeição da leitura antropológica da analítica existencial.
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Redefinição do Dasein não como o humano atual, mas como uma possibilidade futura a ser alcançada.
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Tensão entre a proposição de um objetivo e a crítica aos ideais platônicos.
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Abandono da busca por essências necessárias em favor do salto na possibilidade.
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A reinterpretação da temporalidade nas Contribuições expande o conceito para “tempo-espaço”, onde o tempo atua como uma intuição da apropriação (Ereignis) e o Dasein precisa ser fundado em um sítio momentâneo.
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Deslocamento da temporalidade como horizonte para o tempo-espaço do evento.
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Necessidade de fundar o “aí” através de um salto, e não apenas constatar sua existência.
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Conexão entre a abertura extática e o enraizamento no evento.
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A substituição da pergunta pelo “sentido do ser” pela pergunta pela “verdade do Seyn” (Be-ing) reflete a ênfase na fundação da projeção aberta e na recusa de fórmulas proposicionais corretas.
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Interpretação de “sentido” como fundação do domínio de projeção.
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Foco no acontecer essencial do ser (Wesen) e não em sua definição.
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Tentativa de participar do desvelamento e ocultamento do ser.
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O distanciamento crítico em relação à abordagem transcendental de Ser e Tempo deve-se ao risco de interpretar o ser como “entidade” ou “sendo” (Seiendheit), uma abstração platônica herdada por Immanuel
Kant.
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Crítica à ambiguidade dos termos transcendental e transcendência.
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Identificação do transcendental com a busca pela “entidade” a priori.
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Perigo de degradar o Seyn ao nível dos entes através da objetivação.
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Risco de sugerir que a estrutura temporal do Dasein dita o ser, tal como o sujeito kantiano.
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A superação do transcendentalismo nas Contribuições ocorre através da concepção do Dasein como um “lançador lançado” que é apropriado pelo ser, e pela tese da simultaneidade entre o ser e os entes.
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Radicalização da facticidade e da pertença ao ser.
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Impossibilidade de o Dasein atuar como base autossuficiente de operações.
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Reconhecimento de que nenhum projeto pode estabelecer uma fundação inabalável.
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Recusa de um ser universal que paira a priori sobre os entes particulares.
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O projeto das Contribuições não refuta Ser e Tempo, mas aprofunda a intuição de “pertencimento” que estava presente, porém obscurecida pelo viés transcendental e pela busca de estruturas universais na obra de 1927.
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Continuidade através da radicalização do pertencer.
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Movimento da teoria abstrata para a concreção do “próprio”.
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Tentativa de fazer justiça à doação do ser na pertença.