5 Crise

POLT, Richard. Heidegger: an introduction. 2ed. Ithaca: Cornell University Press, 2025.

Heidegger em Crise

1. Com a publicação de Ser e Tempo (Sein und Zeit), a reputação de Heidegger alcançou rapidamente projeção internacional, mas ele não se acomodou sobre os louros, tornando-se cada vez mais insatisfeito com os conceitos filosóficos estabelecidos, inclusive os seus próprios, e cada vez mais frustrado com o mundo moderno, com seu “progresso”, suas opiniões populares e sua política.

2. Heidegger estava pronto para uma revolução não apenas no pensamento, mas também na ação, e acolheu com entusiasmo o movimento nacional-socialista quando este chegou ao poder em janeiro de 1933.

3. Por razões óbvias, a política de Heidegger tem sido há muito um tema perturbador e inflamado, embora, do ponto de vista biográfico e psicológico, sua escolha não surpreenda.

4. Para o estudioso da filosofia de Heidegger, a preocupação principal não devem ser suas inclinações e seu temperamento, mas seu pensamento, cabendo perguntar até que ponto sua filosofia está enredada no nazismo.

5. Os cursos de Heidegger dos anos 1930 e 1940 exploram e desconstroem incansavelmente os marcos do pensamento ocidental, ao mesmo tempo em que buscam o modo certo de recomeçar.

6. Paralelamente, Heidegger escrevia textos privados e esotéricos que exprimem seus esforços mais intensos de lutar com a questão do ser, compartilhados em vida apenas com alguns amigos.

7. Em 2014 começaram a vir à luz os diários filosóficos de Heidegger (GA94–102), conhecidos como Cadernos Negros (Schwarze Hefte) pela cor de sua encadernação.

8. Embora o pensamento de Heidegger evolua consideravelmente entre Ser e Tempo e a queda do Terceiro Reich em 1945, convém tratar esse período turbulento como um todo, reservando os escritos do pós-guerra para uma etapa posterior.