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A interrogação inicial pela lógica e pelo juízo já conduz à questão da linguagem, pois a validade formal de uma operação lógica não esclarece, por si só, o sentido do julgar nem sua relação com o conhecimento.
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A busca inicial por fundamentos teóricos da linguagem ainda separa essência e história, enquanto a virada do pensamento exige reconhecer que o próprio modo de perguntar está situado na história do desocultamento do ser.
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A hermenêutica da existência não pode assegurar para si um fundamento metódico exterior ao acontecer da verdade: também a compreensão do ser e sua análise estão submetidas à maneira como o ser historicamente se destina.
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A lógica formal possui um campo legítimo, mas suas regras não esgotam o pensamento; a questão da verdade do ser requer um dizer capaz de acolher aquilo que se retira, em vez de tomar todo pensamento como encadeamento de juízos demonstráveis.
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A guarda do silêncio, ou sigética, responde à dimensão de mistério do desocultamento: calar não equivale à ausência de palavra, pois pode preservar o que ainda não se deixa converter em enunciado disponível.
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A linguagem não se reduz à emissão de sons, à expressão de vivências ou à comunicação de conteúdos previamente formados; seu dizer originário deixa que as coisas apareçam e encontrem o lugar que lhes é próprio.
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A palavra não se limita a acrescentar um nome a uma coisa já inteiramente constituída: no dizer que mostra, a coisa pode vir à proximidade e manifestar-se em sua pertença ao mundo.
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Como casa do ser, a linguagem reúne o acontecer da verdade e oferece mundo ao articular terra e céu, divinos e mortais; a voz humana responde a esse dizer sem ser sua fonte soberana.
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O silêncio que guarda o mistério e a palavra que o deixa aparecer pertencem ao mesmo movimento, no qual a linguagem pode abrir uma proximidade sem suprimir a distância nem o ocultamento.
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Pensamento e poesia pertencem ao dizer ao mesmo tempo que se distinguem historicamente: o poeta nomeia o sagrado, enquanto o pensador interroga a verdade do ser e procura situar o que permaneceu impensado na tradição.
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A proximidade da poesia não autoriza o pensamento a tomar para si a palavra poética como resposta definitiva; sua tarefa consiste em sustentar a pergunta, inclusive diante da ausência do divino.
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A exigência fenomenológica de ir às coisas mesmas impede que sua essência seja explicada prematuramente por causas psicológicas, sociais ou históricas; esclarecer significa primeiro deixá-las aparecer no âmbito que lhes pertence.
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O esclarecimento da essência precisa tornar-se localização, pois uma essência tomada como determinação fixa e supratemporal encobre o acontecer histórico que torna possível sua manifestação.
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Localizar o já pensado significa escutar, naquilo que foi dito, o sinal do que permaneceu impensado; a tradição pode então conduzir o pensamento a outro lugar sem se converter em simples coleção de opiniões passadas.
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O salto para o impensado responde a uma indicação recebida do próprio caminho da verdade e, por isso, não se confunde com uma escolha arbitrária de conceitos ou com a pretensão de compreender um pensador melhor do que ele compreendeu a si mesmo.
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O diálogo com a tradição transforma conjuntamente o lugar de seus interlocutores: o pensamento passado é compreendido a partir de seus limites próprios, enquanto seu não dito pode adquirir força para uma interrogação presente.
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A essência tem unidade sem possuir a rigidez do universal imutável; seu modo de vigorar inclui transformações históricas, de maneira que o caminho percorrido para pensá-la pertence à própria questão.
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As ciências estabelecem conhecimentos segundo seus métodos, mas a pergunta pelo sentido de seus conceitos fundamentais e pelas condições de sua correção requer um pensamento que situe os pressupostos que seus procedimentos deixam impensados.
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Palavras fundamentais, princípios e formas gramaticais guardam decisões históricas acerca do ente; compreendê-los exige percorrer o caminho em que adquiriram força, em vez de lhes atribuir apenas o significado habitual.
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A palavra enquadramento (
Gestell), por exemplo, reúne uma história de interpretações do ser como posição e disponibilidade; seu alcance depende dessa trajetória e não de uma associação imediata com máquinas ou armações materiais.
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O acontecimento apropriador (
Ereignis) não pode ser demonstrado como fundamento último nem localizado como um objeto entre outros, pois é o próprio acontecer que abre lugares e permite distinguir fundamento e fundamentado.
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O caminho do pensamento permanece aberto enquanto caminho: sua verdade não se deixa encerrar numa visão completa do percurso, numa meta final assegurada ou num sistema que converta o acontecer do desocultamento em resultado disponível.
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A passagem da localização da tradição a um dizer a partir do lugar próprio exige interrogar as possibilidades das línguas ocidentais, marcadas pela metafísica, para acolher também outro dizer e um silêncio que diga.
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Uma língua pode receber sentidos novos sem perder seus sons ou suas formas; poesia e pensamento tornam possível essa transformação quando deixam amadurecer, no mesmo âmbito da palavra, outra experiência da verdade.