Os primeiros parágrafos de
Ser e Tempo, publicado em 1927 por Heidegger, insistem na articulação do fundamento dos entes e do dinamismo do espírito (ou do homem que se chama Dasein, o “ser-aí,” intimado a responder à questão sobre o sentido do seu ser).
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Essa articulação é apresentada com a ajuda de categorias originais: o existenciário e o existencial.
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O existencial designa o princípio das nossas vidas no mundo, sendo acessível através dos diversos fenômenos da nossa existência (existenciários).
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A reflexão existencial assume o existenciário, procurando-lhe o sentido.
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Os fenômenos existenciários apontam para uma ontologia existencial.
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Contudo, como não se acede ao plano existencial sem passar pelos fenômenos existenciários, o exame da questão de princípio não se contenta com analisar a lógica de nossas noções abstratas mais gerais. A partida é tomada no vivido “existenciário.”
A problemática de
Blondel pode ser comparada à de Heidegger.
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O
Ação de
Blondel, de 1893, embora anterior a
Ser e Tempo, não desconhece o que é significado pelas distinções entre existenciário e existencial, ôntico e ontológico.
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O dinamismo do Dasein não é totalmente diferente do dinamismo da “vontade querente” de
Blondel.
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A análise blondeliana se desenvolve evidenciando a potência da “vontade querente,” que tende para o cumprimento do seu desejo aberto indefinidamente, enquanto a “vontade querida” encarna esse élan na particularidade das nossas existências.
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A inadequação entre a vontade querente e a vontade querida é verificada por meio de todas as nossas atividades.
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Reconhece-se uma ordem entre as formas queridas dessas atividades, revelando a amplitude da vontade querente, que é progressivamente exercida e realizada de uma maneira sempre mais adequada, culminando na posição da pura ação (a “opção”), que pode atender inteiramente à vontade querente.
No final de sua primeira obra,
Blondel fala de uma “metafísica à segunda potência,” indicando um prolongamento possível da reflexão.
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Essa metafísica à segunda potência funda não somente o que uma metafísica subjetiva apresentava como a realidade do ser (fenômeno especulativo), mas “todo o determinismo da natureza, da vida e do pensamento.”
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Embora A Ação se prenda de maneira privilegiada ao movimento da vontade subjetiva para se opor ao positivismo e ao criticismo, não se limita aos problemas do “eu.”
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De fato, a sua tese desenvolve a aliança dos atos do espírito e do ente, e em
Blondel não há interesse pelo sujeito separado do seu fundamento metafísico.
O plano de
A Ação deriva dessa perspectiva:
O primeiro fenômeno do espírito é a atividade científica, uma primazia necessária para a filosofia, que não pode meditar sem analisar as suas expressões perante as exigências racionais.
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Uma vez analisadas as ciências e reconhecido que a exigência do sentido não é extinta pelas suas práticas, afirma-se que elas não são a medida do ser, mas que o ser é a luz do seu sentido.
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A fundação das ciências é assegurada por uma exigência que leva a ultrapassá-las.
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A Ação segue o estudo dos fenômenos do espírito (como a liberdade pessoal, o engajamento na sociedade e os valores religiosos mais altos), culminando na “opção” (4ª parte).
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O sentido de cada fenômeno analisado é então afirmado, reconhecendo a tensão que a todos atravessou.
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“Tudo o que foi chamado dados sensíveis, verdades positivas, ciência subjetiva, crescimento orgânico, expansão social, concepções morais e metafísicas, certeza do único necessário, alternativa inevitável, opção mortífera ou vivificante, acabamento sobrenatural da ação, afirmação da existência real dos objetos do pensamento e das condições da prática, tudo não passa de fenômenos pelo mesmo título.”
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Para concluir,
Blondel sela todos esses fenômenos na afirmação positiva do princípio (5ª parte), que transcende o ato de liberdade, implementando-o além dela mesma.
Segundo
A Ação, a afirmação ontológica nasce do interior da análise dos fenômenos.
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Todos os fenômenos manifestam uma inadequação entre a vontade querente e o que lhe é possível concretamente realizar.
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No termo do percurso, e no caso da opção “positiva”, um olhar retrospectivo reconhece em cada fenômeno uma expressão provisória, mas já real, do infinito fundador.
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Os fenômenos analisados não são mais entendidos como resultados de uma vontade que busca somente sua autoadequação, mas porque apontam para um fundamento ao qual o espírito se sabe desde sempre votado.