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A concepção da existência como conceito de alcance ontológico, permitindo uma renovação da pergunta pelo “ser”.
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A compreensão da existência como um modo de ser próprio da vida humana, não como o mero existir empírico que chega a ser existência.
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O ser do homem como “ser-aí” (Dasein), um ser que precede o saber e a que pertence essencialmente uma autocompreensão.
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A compreensão do ser próprio como fundamento para compreender outros seres, sendo o ser objeto secundário ao ser do conhecimento.
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O ser do homem como o ser de uma vida que se compreende a si mesma, fundando a consciência, e não o contrário.
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Os dois modos de autocompreensão: desviar a mirada de si ou afirmar-se no encontro consigo mesmo, sentindo a vida como carga.
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A existência em autocompreensão como existir em possibilidades, não representando-as, mas pondo-as em prática, realizando-as e antecipando-as.
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A articulação das possibilidades, desde as de curto alento até às mais essenciais e profundas, que colocam a alternativa de se subtrair ou apreender o próprio eu.
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O surgimento da compreensão das coisas, da sua “servicialidade”, a partir da autocompreensão, no campo das nossas possibilidades.
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O mundo originário como uma trama de compreensão, uma co-compreensão do que há no interior desta trama, sendo “o meu mundo”.
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A estrutura essencial da vida no mundo que torna possível a unidade de contingência e idealidade: a unidade indivisível entre o estar situada, a preconcepção e o tender a.
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O “projeto” como tendência que procede de um ponto de partida não projetável (“um projeto projetado”) e que nos põe perante algo com que temos que nos havermos.
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A denominação desta estrutura trinitária como “cura” (Sorge), excluindo ressonâncias de “cuidados dispensados” ou “solicitude”.
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O caráter temporal da cura, não como tempo objetivo, mas como temporalidade que permite transcender o presente.
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A temporalização da temporalidade sempre a partir do futuro, pois a possibilidade decide o sentido e significado da situação.
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A afinidade de momentos do viver (situação, compreensão, fala, estado de caída) com momentos do tempo.
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A diferença essencial na temporalização conforme se aguarde passivamente as possibilidades ou se atue em sentido próprio.
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O despertar da consciência moral como a voz da cura que chama sem palavras, de volta à solidão e à necessidade de carregar com a vida mortal e finita.
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A clara compreensão como um avançar angustiado até à possibilidade última e insuperável, a morte.
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A integração desta possibilidade na existência fazendo brotar o estado de “resoluto”, onde a existência se faz presente a sua protopossibilidade mais própria.
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A captação efetiva da situação somente na claridade do estado de resoluto, ganhando-se a personalidade própria e a autenticidade.
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A quebra da “pseudopersonalidade” formada pela tradição, hábitos, instintos, despreocupação e simulação coletiva.