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Confirmação da existência de um dissenso antigo, já atuante em todas as cenas anteriores de desacordo literário e político, cristalizado há muito na questão da opsis, e constatação de que, ao desenvolvê-lo, se revela uma dissociação entre um amplo acordo filosófico e um dissentimento de ordem estética, entendido como antinomia das percepções e das afecções.
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Observação prévia segundo a qual essa coexistência de acordo teórico e desacordo de gosto implica faltar ainda algo ao próprio enunciado do acordo teórico, a saber sua mise en scène ou dramatização num estilo e num pathos, o que reintegra a questão da idiossincrasia na problemática comum.
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Proposta de nomear idiopsis o núcleo mais condensado do debate, uma questão de “ver em próprio” e de “propriamente ver”, remetendo a questão do apresentante estar ou não ele mesmo tomado na presentação à complexidade heideggeriana do Er-Eignis.
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Interpretação do dissentimento atual, ausente quinze anos antes embora já legível em trabalhos comuns da época, como sintoma de uma insistência nova da questão do estilo, entendido em sentido forte como um “como” consubstancial a toda presentação, o que convida a esquadrinhar a mesmidade da coisa sobre a qual recai, apesar de tudo, o acordo, sem dialetizar prematuramente esse dissentimento.
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Constatação de que a falta atual de discussão se aloja precisamente nessa questão do estilo, pouco interessando à crítica contemporânea, embora tenha sido central na invenção filosófica do pós-
Sartre, em
Blanchot, Barthes,
Derrida,
Deleuze ou
Lacan, ilustrando o próprio
Sartre a contrario o assujeitamento da literatura a outra coisa que não a presentação ou a cena.
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Retomada e retificação dos termos do acordo: precisão de que a imprensentação generalizada visava de fato um discurso pós-moderno que permaneceu inversamente na obediência da presentação, quando seria antes preciso falar de vinda em presença, reservando um incoativo permanente e uma diferença da presença no sentido derridiano.
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Vinculação dessa vinda em presença ao arqui-teatro já evocado por Philippe, não tendo o arqui ou a origem lugar senão na própria repetição, como divisão e decisão que a nenhum Uno primordial sobrevém, o que excluiria, ao contrário do que sugere Philippe, qualquer reintrodução possível da religião.
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Reformulação da arte como presentação sensível da Ideia, contanto que se acrescente que nela a Ideia desaparece como Ideia, o que
Hegel não pode reconhecer plenamente apesar de seu esforço, donde uma estética compreendida como espaçamento originário interno ao próprio idealismo, nomeado indiferentemente corpo ou arqui-cena.
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Resposta à desconfiança de Philippe quanto ao emprego generalizado da palavra cena: necessidade de manter mimèsis como nome da própria presentação implicando uma cenografia originária, admitindo-se contudo que o cênico se divide e se distribui em cenas particulares, entre elas a política e a analítica, permanecendo o teatro o lugar de exibição específica do cênico como tal.
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Programa, remetido para depois, de analisar o dispositivo próprio do texto teatral a partir da posição assintática do nome de personagem, que se apaga na cena no momento em que o enunciador vem à presença, com breve exemplo posto em forma dialogada.
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Primeiro artigo do dissentimento, a figura: manutenção da palavra apesar de sua ambiguidade, sob o argumento de que uma recusa pura e simples da figura reconduziria, segundo Jean-Luc, à religião do imprensentável, definindo-se a religião como a intropatia identificatória da figura que a erige em Figura abolindo o espaçamento de origem, contra o que o ateísmo designaria antes o livre traçado das figuras, com observação incidental de que dos deuses só restam os lugares.
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Precisão complementar de que a arte nunca foi religiosa, tendo constituído sempre, no próprio seio das religiões que dela se serviram, a parte secretamente subtraída ao religioso.
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Segundo artigo do dissentimento, propriamente estético, versando sobre a aversão de Philippe a certo gosto, remetendo à questão da idiopsis e à necessidade de uma disparidade e de um dissentimento dos gostos e dos estilos, levando o espaçamento cênico e figural consigo o espaçamento dos gêneros e dos estilos segundo configurações históricas variáveis, o que justifica “protestar” contra o discurso morno atual.
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Retomada assumida do motivo da boca, não como conceito mas como obstáculo ou resistência que apela a uma figuração não significante, designando o corpo em suma o sentido como limite e ultrapassagem da significação, o que releva a um só tempo de um estilo de escrita e de um estilo de leitura, permanecendo a questão do gosto a ser retomada radicalmente.
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Encerramento prático da troca sob a pressão do fax e da gráfica, seguido de uma citação final tirada ao acaso de Finnegans Wake, associando fronte, olho e boca numa fórmula de mímica teatral.