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NANCY, Jean-Luc et al. Dies Irae. London: University of Westminster Press, 2019.

DOIS

12. No final da primeira seção de O que significa orientar-se no pensamento?, Kant escreve que a necessidade da razão pode ser considerada dupla: primeiro, tem um uso teórico, e segundo, um uso prático; o primeiro é meramente condicional, devendo-se supor que Deus existe se se quiser julgar as primeiras causas de todas as coisas contingentes, especialmente na ordenação dos propósitos efetivamente presentes no mundo.

13. A razão prática, portanto, deve julgar; há uma coerção (um müssen e não um sollen) que é simultaneamente consequência da presença de certa lei em nós e uma espécie de obrigação arquietica, sob a qual a lei se dá a conhecer.

14. A lei é a própria lei da moralidade, isto é, a atualização do juízo na liberdade; é a lei que eu livremente cumpro a lei, e este é o bem supremo.

15. Em outras palavras, não se julga sem Ideia; não no sentido de que se precise de uma ideia, um critério, para julgar, mas, primeira e fundamentalmente, no sentido de que a Ideia é o dever de julgar, na medida em que esse dever nada é senão a realidade objetiva prática da liberdade em ação.