A tradição filosófica, exemplificada nas análises de Aristóteles e
Hegel, encobre não apenas a temporalidade existencial, mas também a estrutura autêntica do tempo cotidiano.
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Esse encobrimento deriva da tendência geral do Dasein de interpretar tudo segundo as categorias do presente-à-mão.
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Assim como os entes à mão são mal interpretados como meras coisas, o tempo é interpretado como uma série de agoras presentes-à-mão.
Nessa compreensão, o tempo só pode ser pensado como objetivo ou subjetivo, como coisa do mundo ou como vivência psíquica.
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Heidegger rejeita essa alternativa ao mostrar que o tempo é objetivo enquanto mundano e subjetivo enquanto fundado no modo de ser do Dasein.
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O tempo é mais objetivo que qualquer ente intramundano, pois é a condição de possibilidade de sua manifestação, e mais subjetivo que qualquer vivência, pois funda o ser do ente cujo ser é cuidado.
Dasein e entes estão e não estão no tempo: estão, enquanto são datáveis e estendidos; não estão, porque a databilidade dos entes deriva da temporalidade do Dasein, e o Dasein não existe em tempo, mas como tempo.
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Somente uma análise existencial da temporalidade evita tanto a reificação objetiva do tempo quanto sua dissolução subjetivista.
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Apenas a compreensão do ser humano como temporalidade pode esclarecer em que sentido o ser humano e os entes estão, e não estão, dentro do tempo.