MONTAVONT, Anne. De la passivité dans la phénoménologie de Husserl. 1re éd ed. Paris: PUF, 1999.
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A possibilidade de um ato vivo e de uma consciência espontânea é reconduzida à hipótese de uma criação originária espontânea da qual o ato retira sua vida.
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A análise do presente vivo conduz, em última instância, à noção de um agora absoluto não modificado.
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Esse agora é pensado em proximidade essencial com a vida, como sua fonte última.
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A vida do ato não é derivada, mas enraizada numa originariedade anterior a toda modificação.
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A análise fenomenológica do tempo interno descreve o modo de aparecimento de um som como pura doação hylética.
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O agora presente é descrito metaforicamente como vivo.
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A modificação retencional da impressão originária é caracterizada como obscurecimento contínuo da clareza.
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O passado imediato do som aparece como algo morto, privado do ponto vivo de produção do presente.
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O tempo manifesta uma estrutura paradoxal de submissão e produção.
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O sujeito encontra-se sempre já engajado no tempo.
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Ao mesmo tempo, o tempo surge a partir do próprio ser do sujeito.
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O começo absoluto não pode ser pensado como ponto intemporal, pois o tempo surge de si mesmo.
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A origem temporal revela um caráter paradoxal.
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Ela é simultaneamente exterior ao que produz e já presente no que produz.
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O sujeito se descobre afetado pelo tempo no mesmo momento em que se vive como começo absoluto.
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A origem não é um ponto fixo, mas um processo que se engendra a si mesmo.
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A Urimpression é definida como começo absoluto da produção temporal.
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Ela é fonte originária a partir da qual tudo o mais se produz continuamente.
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Não é produzida nem gerada a partir de um germe.
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É criação originária, genesis spontanea.
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A impressão originária possui um estatuto ambíguo de passividade e atividade.
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Ela é recebida, não produzida pela espontaneidade consciente.
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Ao mesmo tempo, constitui o produto originário, a novidade absoluta.
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A espontaneidade da consciência apenas desenvolve esse produto originário, sem criar algo novo.
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A Urimpression é descrita como unidade arquioriginária.
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Ela é simultaneamente fora do tempo e no tempo.
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É temporalisante e temporalisada.
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A partir dela, o tempo pode ser pensado como fluxo.
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O presente vivo coincide com essa Urimpression.
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Ele é pensado como sujeito último fora do tempo.
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E como ente individuado no tempo.
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Essa coincidência absoluta é qualificada como vida originária.
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A descrição da vida originária enfrenta uma dificuldade estrutural.
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A vida só pode ser apreendida a partir de uma origem em movimento.
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Contudo, a origem só é origem se for também constituinte e, portanto, fora do movimento.
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A vida só é apreensível a partir de si mesma, mas como produção contínua a partir de um ponto que não lhe pertence inteiramente.
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A impressão originária é caracterizada como vida absolutamente começante.
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Ela não remete a nada além de si mesma.
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Seu ser se esgota em seu modo de aparecer.
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Ela constitui o germe das consciências que se desenvolvem a partir dela.
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A metáfora biológica reaparece na análise da Urimpression.
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A impressão funciona como germe originário.
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O desenvolvimento da consciência não introduz novidade radical.
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Coloca-se a questão da relação entre pré-formação e epigênese sem solução unívoca.
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A impressão é geração espontânea porque não depende de nada exterior a si.
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Ela é exterior e interior ao que engendra.
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Exterior enquanto fonte que não se confunde com o desenvolvido.
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Interior enquanto princípio a partir do qual o desenvolvimento ocorre.
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O absoluto deixa de ser um princípio metafísico.
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Ele aparece na própria experiência.
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O absoluto da impressão não é estranho ao sujeito porque o sujeito é essa impressão.
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Antes de ter uma impressão, o sujeito é essa impressão.
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O sujeito é temporalisado por uma impressão temporalisante.
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O sujeito é no tempo que ele próprio faz surgir.
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Ele se vive como afetado e como fonte ao mesmo tempo.
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A distinção tradicional entre produção e recepção perde pertinência nesse nível.
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No nível originário, atividade e passividade se confundem.
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A passividade já não é do dado bruto.
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A atividade já não é privilégio do espírito.
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A Urimpression situa-se aquém da oposição clássica entre atividade e passividade.
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A descrição da Urimpression desafia a lógica da não contradição.
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Ela é ao mesmo tempo impressão e consciência.
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É recebida passivamente e, ainda assim, espontânea.
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Trata-se de uma recepção ativa e criadora.
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A Urimpression não é correlato de uma apreensão intencional objetivante.
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Ela não se insere no esquema forma e matéria.
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Não é produto de uma constituição ativa.
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É anterior à doação subjetiva de sentido.
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O fluxo temporal nasce de uma fonte atemporal.
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Um presente fora do tempo cria o tempo.
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Essa criação só é possível porque a Urimpression já é experiência.
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Ela já é sentido, ainda que anterior ao eu.
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A receptividade da impressão não deve ser interpretada naturalisticamente.
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A impressão não é exterior à consciência.
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Não é material amorfo sem forma.
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É aquilo que se formou de maneira estrangeira à consciência, mas já significativa.
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A impressão é intencionalidade de sentido sem ser ato do eu.
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Ela torna o mundo presente ao tornar o sujeito presente a si mesmo.
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Isso ocorre antes de qualquer reflexão explícita.
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A afecção constitui o modo originário dessa auto-presença.
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A afecção pressupõe um mínimo de distância.
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Uma diferença entre afetante e afetado.
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Essa diferença é a própria retenção.
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O fluxo temporal é o modo desse afastamento mínimo.
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O rapport ao si coincide com um rapport ao mundo pré-objetivo.
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Ainda não há mundo de objetos.
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Há já uma relação originária.
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Essa relação funda posteriormente a reflexão e a constituição objetiva.
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A intencionalidade afetiva exige um novo conceito de sensibilidade.
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A sensibilidade não é conteúdo amorfo.
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Ela é intencional de modo imanente.
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Ela se situa e situa os conteúdos em relação a si mesma.
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O tempo é o mínimo de distância entre sentir e sentido.
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Essa distância permite à sensação ser apreendida como unidade.
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A sensação dura e se estende no fluxo temporal.
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Há uma esquematização imanente da sensação.
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O presente vivo só se apresenta por meio da retenção e da protensão.
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Não há apreensão sem mínimo escoamento.
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A consciência está sempre em atraso em relação a si mesma.
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A presença só se dá mediante uma ausência mínima.
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A modificação retencional não é um ato.
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Ela pertence à ordem do acontecimento.
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A consciência do tempo é a própria temporalização.
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O olhar que constata o desfasamento é esse desfasamento.
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A presença é essencialmente temporal e individual.
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Não há presença fora do tempo.
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O idêntico só o é porque dura.
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A consciência originária não é constituinte, mas vida ou evento.
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A Urimpression sugere a superação da separação entre consciência e mundo.
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Ela indica uma presença anterior à dualidade sujeito e objeto.
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Trata-se de uma experiência ainda muda.
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Essa experiência deve ser levada à expressão sem perder sua irreflexão.
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Husserl oscila entre duas concepções difíceis de conciliar.
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Uma intencionalidade latente e operante.
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Uma intencionalidade autêntica orientada para o objeto e o conhecimento.
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Uma passividade afetiva reconhecida, mas subordinada à função cognitiva.
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O pré-reflexivo permanece referido ao polo do eu.
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O eu continua sendo centro de referência.
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O além ou aquém da reflexão só tem sentido em relação a ela.
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A vida originária é reconhecida, mas nunca plenamente emancipada do modelo do cogito.