Em tandem com o gesto das coisas, o mundo concede como Gönnen, entendido como envio de graça (Gunst) e não como simples fornecimento, e essa concessão é pensada a partir de
Heráclito (fragmento 123, physis kryptesthai philei), onde philein é vertido como conceder graça (die Gunst schenken) e onde graça significa conceder e garantir originários (Gönnen e Gewähren), distinguindo-se de benefício e patronagem.
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Gönnen como concessão ligada etimologicamente a Gunst.
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Heráclito (fragmento 123) como campo de elaboração do conceder.
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Philein como conceder graça em vez de “gostar” ou “amar”.
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Graça como Gönnen/Gewähren, não como Begünstigen/Begönnern.
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A concessão originária dá ao outro o que lhe é devido por pertencer à sua essência e por portar sua essência, de modo que a essência concedida floresce em sua liberdade sem acréscimo extrínseco, porque a concessão primeiro deixa o outro ser o outro, oferecendo-lhe o espaço de suas relações e operando como capacidade de esperar, na qual não se exige plena presença e se deixa o outro chegar como chegada.
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Conceder como dar o devido ao outro segundo sua essência.
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Liberdade como florescimento no espaço das relações e do espaçamento.
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Recusa de benefício aditivo: concessão como deixar-ser do outro.
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Esperar como forma de conceder que acolhe chegada sem exigir plenitude.
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Se o mundo concede coisas, então o mundo dá às coisas o espaçamento de suas relações e as boia no entrelaçamento relacional que as porta, de modo que as coisas que gesticulam mundo são concedidas pelo mundo para coisar e são sustentadas pelo que elas mesmas executam, sendo portadas (getragen), num deslocamento do problema da graça do ser (Sein) para a interface entre coisa e mundo.
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Espaçamento do mundo como aquilo que porta a coisa.
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Entrelaçamento de relações como boia e sustentação.
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Coisas concedidas para coisar e sustentadas pelo que executam.
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Continuidade temática: graça e concessão atravessando ser e, depois, coisa-mundo.
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A interface entre coisa e mundo é um encontro sem chão entre gesto e concessão, em que cada um implica o outro por um regime de apropriação (ereignen), de modo que se fala em Welt-Geviert e em Ding-Welt/Welt-Ding para marcar a conjunção inerradicável entre o quatroar do quatro e o mundificar do mundo, e em que a diferenciação (Unter-Schied) apropria coisas aos gestos do mundo e apropria mundo à concessão das coisas.
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Apropriação como efeito da exposição recíproca entre coisa e mundo.
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Welt-Geviert como indicação da conexão entre Geviert e mundo.
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Ding-Welt e Welt-Ding como nomeação da conjunção sem isolamento.
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Unter-Schied como diferenciação que apropria em dupla via: coisas aos gestos do mundo e mundo à concessão das coisas.
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A diferenciação é a própria infiltração do entre, medida conjuntamente pela luminosidade do mundo e pelo brilho simples das coisas, de modo que a gesticulação do mundo pelas coisas se cumpre a partir da graça do mundo e que, por serem suficientes, tais coisas deixam o Geviert do mundo permanecer com elas, enquanto brilho e luminosidade atravessam e medem o entre como limite de diferenciação.
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Infiltração entre coisa e mundo como estrutura do entre.
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Brilho das coisas e luminosidade do mundo como co-medida.
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Graça do mundo como fonte de cumprimento da gesticulação.
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Permanência do Geviert com as coisas como efeito de suficiência e de medida do entre.