A importância hermenêutica do curso de 1920 reside na sua destruição crítica de duas tentativas contemporâneas de fundar a filosofia na vida ou na vivência, a saber, a filosofia de visão de mundo de
Spengler e a psicologia transcendental de
Natorp, e o curso oferece a primeira elaboração completa da destruição como técnica fenomenológica a serviço da recuperação fenomenológica da vida em sua facticidade.
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O curso critica a filosofia de visão de mundo de Spengler.
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O curso critica a psicologia transcendental de Natorp.
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A destruição é elaborada como técnica fenomenológica.
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A destruição visa limpar o terreno para a recuperação fenomenológica da vida.
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O que se busca na destruição é a vida em sua facticidade.
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O termo facticidade torna-se proeminente nesse curso.
A facticidade é o objetivo da própria filosofia, e Heidegger declara ao final do curso que a filosofia tem a tarefa de preservar a facticidade da vida e fortalecer a facticidade do Dasein, e a atenção à formação de conceitos filosóficos é uma investigação da fonte fenomenológica na vida da própria filosofia conceitual.
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A filosofia deve preservar a facticidade da vida.
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A filosofia deve fortalecer a facticidade do Dasein.
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A filosofia é um modo particular de vida fática.
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A filosofia busca apreender a vida da qual ela mesma é parte.
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Essa apreensão não pode ser entendida como valoração a priori nem como constituição arquissubjetiva do mundo.
A retrospectiva de Heidegger sobre o curso de 1920 localiza-o como uma tentativa inicial de escapar do dualismo sujeito-objeto, na qual se buscava tornar visível algo inteiramente outro, um modo de existência diverso do da presença objetiva oposta a um sujeito, e tratava-se então de apreender as coisas a partir de sua significância relacional e de atentar para as direções-de-sentido e contextos-de-significação que situam o fenômeno.
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O curso tentava escapar do dualismo sujeito-objeto.
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Buscava-se algo inteiramente outro.
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Esse outro é um modo de existência diverso da presença objetiva.
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As coisas devem ser apreendidas em sua significância relacional.
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As direções-de-sentido e contextos-de-significação situam o fenômeno.
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Heidegger identifica esse método com a fenomenologia.
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A redução aos genuínos complexos de sentido é a tarefa fenomenológica última.
O curso de 1920 não elabora plenamente esse outro modo de ser, concentrando-se na destruição das filosofias da vivência, e retrospectivamente o pesquisador o interpreta como uma tentativa de conquistar mais originalmente o que tem sido, pois ninguém pode colocar-se fora do círculo dominante das concepções com um único salto.
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O curso não elabora plenamente o outro modo de ser.
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O foco do curso é a destruição das filosofias da vivência.
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Retrospectivamente, o curso é visto como tentativa de conquistar mais originalmente o que tem sido.
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É impossível colocar-se fora do círculo dominante das concepções com um único salto.
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A oposição ao vigente só se consuma na conquista mais original do que tem sido.
Embora o curso de 1920 nunca discuta explicitamente a hermenêutica, são essas ideias que teriam atraído a atenção do Conde Kuki e levado ao seu fascínio pelo hermenêutico.
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O curso não discute explicitamente a hermenêutica.
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As ideias do curso atraíram a atenção de Kuki.
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Essas ideias levaram ao fascínio de Kuki pelo hermenêutico.
O pensamento heideggeriano da hermenêutica sempre foi uma questão de conquistar de volta um modo de ser não objetivo e relacional, como Heidegger explicita no curso de 1923 Ontologia: hermenêutica da facticidade, onde o termo hermenêutica é empregado pela primeira vez e entendido como método que proporciona acesso a um tipo particular de ser, a facticidade, que é o ser do Dasein.
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A hermenêutica busca conquistar um modo de ser não objetivo e relacional.
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O curso de 1923 emprega o termo hermenêutica explicitamente pela primeira vez.
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A hermenêutica é um método de acesso à facticidade.
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A facticidade é o ser do Dasein.
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Facticidade é a designação para o caráter de ser do Dasein próprio.
A hermenêutica serve à autocompreensão do Dasein fático, tendo a tarefa de tornar o Dasein, que é em cada caso próprio, acessível a si mesmo quanto ao caráter de seu ser, e nela se desenvolve para o Dasein uma possibilidade de seu tornar-se e ser para si no modo de uma compreensão de si mesmo.
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A hermenêutica torna o Dasein acessível a si mesmo.
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O acesso dá-se quanto ao caráter de ser do Dasein.
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A hermenêutica comunica o Dasein a si mesmo.
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Desenvolve-se para o Dasein uma possibilidade de ser para si na compreensão de si.
A hermenêutica não é a aplicação de um método a um objeto, pois a relação entre hermenêutica e facticidade não é a de apreensão de um objeto e objeto apreendido, e o interpretar é ele mesmo um como possível e distintivo do caráter de ser da facticidade, pertencendo ao ser da própria vida fática.
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A hermenêutica não é método aplicado a um objeto.
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A relação hermenêutica-facticidade não é sujeito-objeto.
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O interpretar é um como do ser da facticidade.
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O interpretar é um ser que pertence ao ser da vida fática.
Como no curso de 1920, o objetivo em Ontologia é descobrir o contexto relacional das coisas, e a destruição é novamente parte necessária do procedimento, pois a tradição deve ser desmontada para que uma posição primordial sobre a coisa mesma seja possível e a filosofia seja recolocada diante dos contextos decisivos.
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O objetivo é descobrir o contexto relacional das coisas.
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A destruição é parte necessária do procedimento.
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A tradição deve ser desmontada.
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A desmontagem permite uma posição primordial sobre a coisa mesma.
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Esse regresso recoloca a filosofia diante dos contextos decisivos.
Os contextos relacionais são tipicamente perdidos pela objetificação e separação dos entes como simplesmente dados, e os contextos revelados são os de significado, que constituem a significância do mundo para o Dasein, e os entes da cotidianidade não são entes que já são em sentido autêntico antes e apartados de seu para-algo e para-alguém, mas seu ser-aí reside justamente nesse para e nesse em ordem a.
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Os contextos são perdidos pela objetificação dos entes como simplesmente dados.
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Os contextos revelados são os de significado.
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Esses contextos constituem a significância do mundo para o Dasein.
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Os entes da cotidianidade não são autênticos antes do para-algo e para-alguém.
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Seu ser-aí reside no em ordem a e no para.
Os entes são para o Dasein, e o curso conclui com reflexões sobre a cura como modo de se comportar em relação a esses contextos relacionais, pois o que importa e atende à cura é o próprio contexto de referências, e a hermenêutica é assim apresentada como um modo de ser capaz de apreender seu próprio ser fático como Dasein.
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Os entes são para o Dasein.
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A cura é o modo de comportamento em relação aos contextos relacionais.
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O que importa e atende à cura é o contexto de referências.
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A hermenêutica é um modo de ser.
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A hermenêutica apreende o próprio ser fático como Dasein.
Uma destruição fenomenológica é novamente necessária para liberar o contexto relacional das coisas, e nesse período os contextos relacionais são sempre entendidos no modelo do uso, o que está em plena concordância com Ser e Tempo quatro anos depois.
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A destruição é necessária para liberar o contexto relacional.
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Os contextos relacionais são entendidos no modelo do uso.
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Esse entendimento concorda com Ser e Tempo.
Heidegger abandona o termo hermenêutica em seus escritos tardios, e as razões para isso são melhor vistas em contraste com a justificativa que motiva o uso do termo em Ser e Tempo, onde as preocupações hermenêuticas encontram sua expressão mais vigorosa e cogente, e que tem a ver com o papel da compreensão na hermenêutica e com sua noção acompanhante de circularidade.
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Heidegger abandona o termo hermenêutica nos escritos tardios.
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As razões do abandono são esclarecidas pelo contraste com Ser e Tempo.
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Em Ser e Tempo a hermenêutica tem sua expressão mais vigorosa.
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O papel da compreensão e a circularidade são centrais nessa expressão.
Quando o interlocutor japonês pergunta por que o termo hermenêutica foi escolhido, o pesquisador remete à introdução de Ser e Tempo, parágrafo 7 C, intitulado O conceito preliminar de fenomenologia, onde se investiga o fenômeno como mostrar-se direto a ser distinguido da aparência como sintoma de algo que não se mostra, e o logos como deixar ver algo, e a fenomenologia é definida como deixar ver o que se mostra tal como se mostra a partir de si mesmo.
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A resposta à escolha do termo hermenêutica está no parágrafo 7 C de Ser e Tempo.
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Fenômeno é mostrar-se direto a ser distinguido de aparência.
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Aparência é sintoma de algo que não se mostra.
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Logos é deixar ver algo.
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Fenomenologia é deixar ver o que se mostra tal como se mostra a partir de si mesmo.
O que se mostra, no entanto, fazê-lo em vários estados de encobrimento, exigindo um procedimento como a destruição do curso de 1920, e o solo fenomênico, antes entendido em termos de experiência ou contextos de significado, deve agora ser arrancado dos objetos da fenomenologia, e o mero olhar não é suficiente para a fenomenologia.
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O que se mostra pode estar encoberto.
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O encobrimento exige um procedimento de destruição.
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O solo fenomênico deve ser arrancado dos objetos.
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O mero olhar não é suficiente para a fenomenologia.
O mostrar-se encoberto dos fenômenos é ele mesmo um modo de mostrar-se, ainda que parcialmente encoberto ou mesmo enganoso, e por mais semblante, tanto ser, e o ser é encontrado nesse mostrar-se, mostrando-se fenomênico, e por isso a ontologia só é possível como fenomenologia.
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O mostrar-se encoberto é um modo de mostrar-se.
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A máxima por mais semblante, tanto ser vigora.
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O ser é encontrado no mostrar-se.
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O ser mostra-se fenomênico.
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Ontologia só é possível como fenomenologia.
Na medida em que essa ontologia fenomenológica requer que se trabalhe através do encobrimento dos entes que aparecem para vê-los em seu ser, que se está sempre já envolvido com esses entes, ainda que de modo cotidiano ou superficial, e que é o próprio Dasein quem pergunta pela questão do sentido do ser a partir de sua posição como ente no ser, essa ontologia fenomenológica é hermenêutica.
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É necessário trabalhar através do encobrimento dos entes.
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O Dasein está sempre já envolvido com os entes.
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O Dasein pergunta pelo sentido do ser.
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O Dasein pergunta a partir de sua posição como ente no ser.
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A ontologia fenomenológica é hermenêutica.
No parágrafo 7 C de Ser e Tempo, Heidegger explica a escolha do termo hermenêutica afirmando que o logos da fenomenologia do Dasein tem o caráter de hermeneuein, pelo qual o significado próprio do ser e as estruturas fundamentais do ser do Dasein são anunciados à compreensão do ser que pertence ao próprio Dasein, e a fenomenologia do Dasein é hermenêutica no sentido originário do negócio da interpretação, e essa hermenêutica é ao mesmo tempo hermenêutica no sentido de elaborar as condições de possibilidade de toda investigação ontológica, e recebe ainda o sentido primário de análise da existencialidade da existência, contendo as raízes da hermenêutica em sentido derivado como metodologia das ciências históricas humanísticas.
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O logos da fenomenologia do Dasein tem o caráter de hermeneuein.
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O significado próprio do ser e as estruturas do Dasein são anunciados à compreensão do ser do Dasein.
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Fenomenologia do Dasein é hermenêutica no sentido originário do negócio da interpretação.
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Essa hermenêutica elabora as condições de possibilidade de toda investigação ontológica.
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Ela recebe o sentido primário de análise da existencialidade da existência.
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Ela contém as raízes da hermenêutica em sentido derivado como metodologia das ciências históricas.
Heidegger entende a fenomenologia como inerentemente hermenêutica porque a fenomenologia envolve a compreensão do próprio ser que é constitutivo do Dasein, assemelhando-se ao negócio da interpretação, que nunca é isento de pressupostos, mas opera sempre a partir dos preconceitos e pressupostos compartilhados de uma posição histórica, e o Dasein não existe fora do ser para depois apreendê-lo como objeto, mas está desde sempre envolvido com o ser.
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A fenomenologia envolve a compreensão do ser constitutivo do Dasein.
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A interpretação nunca é isenta de pressupostos.
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A interpretação opera a partir de preconceitos e pressupostos históricos.
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O Dasein não existe fora do ser.
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O Dasein está desde sempre envolvido com o ser.
Os pressupostos que guiam a interpretação do ser pelo Dasein, designados por Heidegger como pré-posse, pré-visão e pré-concepção, constituem o que ele chama de situação hermenêutica.
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Os pressupostos da interpretação do ser são a pré-posse, a pré-visão e a pré-concepção.
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Esses pressupostos constituem a situação hermenêutica.
É nesse ponto que ocorre a ruptura entre as primeiras e as tardias posições de Heidegger, pois em Ser e Tempo a situação hermenêutica é compreendida em termos de um círculo, e toda interpretação que deve contribuir com compreensão já tem de ter compreendido o que deve ser interpretado, e a circularidade decorre de se conceber a relação hermenêutica como um tornar explícito, em que uma posição latente é confirmada ou clarificada na explicitude de uma interpretação.
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A ruptura entre o pensamento inicial e tardio de Heidegger dá-se nesse ponto.
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Em Ser e Tempo, a situação hermenêutica é um círculo.
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Toda interpretação já deve ter compreendido o que interpreta.
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A circularidade decorre do tornar explícito uma posição latente.
A estrutura-prévia da interpretação é tripartite, começando com a pré-posse de uma compreensão de fundo de uma totalidade de remissões, uma pré-visão que aborda essa totalidade com uma interpretação particular em vista, e uma pré-concepção que decide como conceitualizar a interpretação, e esse círculo da compreensão não é um círculo em que opera um tipo qualquer de conhecimento, mas a expressão da estrutura-prévia existencial do próprio Dasein.
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A pré-posse é a compreensão de fundo de uma totalidade de remissões.
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A pré-visão aborda a totalidade com uma interpretação particular em vista.
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A pré-concepção decide a conceitualização da interpretação.
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O círculo não é de um tipo qualquer de conhecimento.
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O círculo é a expressão da estrutura-prévia existencial do Dasein.
A mesma estrutura-prévia está em jogo na compreensão do ser pelo Dasein, e a ênfase de Heidegger nos preparativos e preliminares necessários até mesmo para perguntar pela questão do ser atesta essa estrutura-prévia, que é um fato de ser-no-mundo, e a circularidade hermenêutica está ligada à compreensão do Dasein.
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A estrutura-prévia está em jogo na compreensão do ser.
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Os preparativos para a questão do ser atestam a estrutura-prévia.
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A estrutura-prévia é um fato de ser-no-mundo.
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A circularidade hermenêutica está ligada à compreensão do Dasein.
Em Ser e Tempo, nem todos os entes estão no mundo no sentido estrito, pois só o Dasein existe, e só o Dasein é circular em sentido hermenêutico, e o círculo pertence ontologicamente a um modo de ser do ser simplesmente dado, e se a circularidade pertencesse a outros entes que não o Dasein, o uso do termo deveria ser abandonado.
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Nem todos os entes estão no mundo no sentido estrito.
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Só o Dasein existe.
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Só o Dasein é circular em sentido hermenêutico.
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O círculo pertence ontologicamente ao modo de ser do simplesmente dado.
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Se a circularidade pertencesse a outros entes, o termo deveria ser abandonado.
O abismo entre a circularidade do Dasein e a não-circularidade de todos os outros entes é repleto de consequências para a compreensão do sentido dos entes, pois é essa circularidade que estabelece os contextos de significado para o Dasein, e todos os outros entes são sem significado.
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A circularidade estabelece os contextos de significado para o Dasein.
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Os outros entes são sem significado.
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O significado é um existencial do Dasein, não uma propriedade dos entes.
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Só o Dasein pode ser significativo ou sem significado.
Os entes não são significativos por si mesmos, mas apenas para o Dasein, e eles são significativos enquanto compreendidos, e todo ente cujo modo de ser não é como o do Dasein deve ser entendido como desprovido de sentido, essencialmente nu de significado como tal, e os entes são apenas manualmente ou simplesmente dados graças à compreensão do Dasein.
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Os entes não são significativos por si mesmos.
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São significativos apenas para o Dasein.
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São significativos enquanto compreendidos.
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Entes com modo de ser diverso do Dasein são desprovidos de sentido.
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São nus de significado.
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São manualmente ou simplesmente dados graças à compreensão do Dasein.
Com a introdução da coisa no pensamento de Heidegger nas Conferências de Bremen, essa situação hermenêutica muda dramaticamente, e um primeiro sentido dessa mudança é encontrado no Diálogo sobre a linguagem, onde a questão do círculo hermenêutico é explicitamente levantada, e o pesquisador afirma que outrora chamou essa estranha relação de círculo hermenêutico, mas que a aceitação necessária do círculo não significa que a noção do círculo aceito dê uma experiência originária da relação hermenêutica, e que a fala do círculo permanece sempre superficial.
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A situação hermenêutica muda com a introdução da coisa nas Conferências de Bremen.
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O Diálogo sobre a linguagem explicita a questão do círculo hermenêutico.
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O pesquisador reconhece que outrora chamou essa relação de círculo hermenêutico.
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A aceitação do círculo não dá a experiência originária da relação hermenêutica.
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A fala do círculo permanece sempre superficial.
A superficialidade do círculo decorre precisamente de sua exclusão dos entes da determinação do significado, o que compromete qualquer hermenêutica que se funde na circularidade, e o pesquisador observa que em seus escritos tardios os nomes hermenêutica e hermenêutico já não são empregados, e o pensamento tardio do mensageiro corrige essa omissão e assim revivifica a hermenêutica, ainda que sob um nome diferente.
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O círculo exclui os entes da determinação do significado.
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Essa exclusão compromete a hermenêutica fundada na circularidade.
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Os escritos tardios de Heidegger não empregam os termos hermenêutica e hermenêutico.
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O pensamento tardio do mensageiro corrige essa omissão.
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A hermenêutica é revivificada, ainda que sob outro nome.