As ideias musicais ou sensíveis, exatamente porque são negatividade ou ausência circunscrita, não são possuídas por nós, possuem-nos. Já não é o executante que produz ou reproduz a sonata; ele se sente e os outros sentem-se a serviço da sonata, é ela que através dele canta ou grita tão bruscamente que ele precisa “precipitar-se sobre seu arco” para poder segui-la.
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A experiência inaugural como abertura de uma dimensão irreversível
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O primeiro contato sensível não consiste na simples apreensão de um conteúdo determinado.
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A ideia é identificada com esse nível inaugurado.
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Não se trata de um invisível factual, oculto atrás do visível.
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Trata-se do invisível próprio deste mundo, que o habita, o sustenta e torna possível sua visibilidade.
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Esse invisível é a possibilidade interior do ente, o seu Ser.
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Consistência da experiência sensível e primazia sobre o pensamento positivo
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A experiência sensível plena não contém lacunas subjetivas.
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O pensamento positivo é limitado por sua fixidez.
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As ideias sensíveis e musicais, por serem negatividade ou ausência circunscrita, não são possuídas pelo sujeito.
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Elas possuem o sujeito.
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O executante não produz a obra, mas se coloca a seu serviço.
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A obra se manifesta através dele, impondo-lhe um ritmo e uma exigência próprios.
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Unidade dinâmica das ideias sensíveis
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As ideias sensíveis organizam-se em turbilhões que se soldam numa unidade.
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Essa unidade não é conceitual, mas estrutural.
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Há uma coesão sem conceito entre os momentos da experiência.
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Essa coesão é comparável àquela que une as partes do corpo ou o corpo ao mundo.
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Idealidade rigorosa das experiências da carne
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As experiências da carne comportam uma idealidade própria.
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Essa idealidade não é estranha ao sensível.
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Ela confere profundidade, eixos e dimensões à experiência.
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O corpo não é nem coisa nem ideia.
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Reversibilidade entre visível e invisível
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O visível empírico contém uma reserva invisível que o sustenta.
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O visível se dobra sobre si mesmo.
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O invisível funciona como horizonte interior e exterior.
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Superação do dualismo entre extensão e pensamento
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A oposição imediata entre visível e invisível é rejeitada.
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A dificuldade persiste quanto à gênese da idealidade pura.
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Inserção da idealidade cultural na carne do mundo
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A idealidade cultural brota das articulações do corpo estesiológico.
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Embora nova, ela percorre vias já abertas.
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A idealidade pura não existe sem carne.
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Metamorfose da visibilidade na linguagem
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A visibilidade do mundo sensível emigra para outro corpo.
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A linguagem sustenta o sentido por seus próprios arranjos.
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Relação entre linguagem operante e sistemas objetivos
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A notação musical e a gramática são produtos secundários.
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As ideias adquiridas são tomadas numa vida segunda.
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As ideias são o outro lado da linguagem e do cálculo.
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Pensamento como possessão da palavra pela ideia
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As ideias animam a palavra interior.
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Elas excedem as palavras.
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A carne é definida como deiscência.
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Do vidente no visível.
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Do visível no vidente.
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Reversibilidade entre fala e significação
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A significação reúne os meios da elocução.
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Ela anexa a fala a si mesma.
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Todo locutor torna-se alocutório e delocutório.
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Passagem do mundo mudo ao mundo falante