O fenômeno em sua acepção husserliana se dava como fenômeno plano, sem resto, em superfície, portanto perfeitamente presente, ao passo que se busca um modo do fenômeno dispensado da exigência de presença, capaz de escapar também à planitude, sondando a profundidade do fenômeno heideggeriano
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O ser deve ser lido a partir da superfície do ente, o que a interpretação fenomenológica coloca em sua pré-visão, tratando-se não de mera leitura da evidência do fenômeno em sua planitude, mas de leitura entre as linhas da presença evidente
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O termo Vor-sicht indica atenção e precaução, o olhar que ultrapassa o que está diante dos olhos para mirar o horizonte de onde poderia vir o perigo, de modo que o olhar fenomenológico vê o ente segundo seu horizonte, em vista de seu ser
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A interpretação não consiste em ver outro ente, mas em ver de outro modo o ente, vendo-o pela primeira vez como ente posto a descoberto na presença, isto é, como fenômeno que provém de sua saída da inaparência
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A profundidade não indica algo escondido atrás do fenômeno aguardando aparecer, mas revela que o próprio aparecer do fenômeno, enquanto maneira de ser e não-ente, manifesta uma profundidade que relança a fenomenologia como saber da fenomenalidade, não apenas dos fenômenos
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A redefinição do método fenomenológico se identifica, para Heidegger, com a instituição da questão sobre o ser do ente, precisando a tendência fenomenológica de esclarecer e compreender o ser como tal
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Nos pares fenômeno/fenomenalidade e ente/ser, a transgressão opera o retorno às coisas mesmas, questionando até o fim, até o começo radical, sem desfazer o ente nem contestar o fenômeno, pois Sein ist das transcendens schlechthin