A legitimidade fenomenológica não-cartesiana do eu exige reconhecer que o “eu sou” só se enraíza autenticamente no Selbst revelado pelo cuidado, e não na simples cada-vez-meu enquanto tal
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A ipseidade e a identidade não se equivalem: o eu pode se manifestar como constância de substância, ao modo de um ente sob-a-mão, ou como Si mesmo a partir da cada-vez-meu que põe o Dasein em jogo em seu ser
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O “eu sou” articula-se com o fenômeno da dívida (
Schuld) e com a abertura total do ser-no-mundo pela resolução, configurando o sítio fenomenológico correto do cuidado de si
O eu pode, assim, ser tanto destruído, à maneira cartesiana da res cogitans persistente, quanto confirmado, à maneira da resolução antecipadora, de modo que o ego cogito, sum se torna menos um contra-caso do Dasein que um território a ocupar e uma obra a refazer
Permanecem em aberto duas indagações: se a ipseidade, tal como jogada no cuidado, determina inteiramente o eu e se estende a todos os entes ou apenas ao Dasein, e se o eu, mesmo atestado como “eu sou”, se esgota nessa função ou se nele está em jogo algo mais originário do que o próprio ser