A crítica usual à teologia da transubstanciação, que a acusa de empregar conceitos metafísicos superados, como substância e acidentes, é historicamente imprecisa e superficial, pois tais termos têm origens e validações que não se reduzem à metafísica grega, e a teologia de
não é o fundamento dos dogmas, mas sim posterior e corrigida por eles.
-
Mesmo que a crítica histórica seja refutada, permanece a objeção mais grave de que a transubstanciação fixaria a pessoa de Cristo em uma coisa disponível, levando a uma idolatria material onde Deus é “colocado em uma caixa” e manipulado pela comunidade, como um ídolo mudo e tutelar.
-
As tentativas de superar essa suposta idolatria por meio de modelos de transignificação e transfinalização, no entanto, são neutras e podem ser integradas à teologia tradicional, a menos que se decida que as novas significações e finalidades sejam determinadas pela comunidade e não pelo próprio Cristo in persona Christi.
-
Se a comunidade se torna a instância que determina as significações e finalidades eucarísticas, a presença não é mais um dom recebido, mas uma conquista da consciência coletiva, onde “Deus” reconhece as suas próprias significações, e a comunidade, em vez de encontrar o Cristo, encontra apenas a si mesma em seu “caminhamento”.
-
Nesta perspectiva reducionista, a presença eucarística depende inteiramente da atenção e da consciência do grupo, que a produz e a consome, tornando a adoração perpétua impossível e a liturgia, em última instância, inútil, pois um gesto ou olhar basta para a tomada de consciência comunitária.
-
O perigo real, portanto, não é a suposta “coisificação” de Deus na hóstia, mas a idolatria espiritual que reduz a presença eucarística à consciência imediata da comunidade, eliminando a mediação real e tornando a própria consciência, sem objeto exterior, a única verdadeira presença “real”.