MALPAS, Jeff. Heidegger’s topology: being, place, world. Cambridge (Mass.): MIT Press, 2006
Grande parte do meu argumento poderia ser colocado em termos da ideia de que a questão do ser está de fato subjacente a uma “questão mais radical” — nomeadamente, a questão do lugar — de modo que, na terminologia de van Buren, ser há que se entender como, poder-se-ia dizer, um “efeito” de lugar. Em rigor, porém, preferiria dizer que ser e lugar estão indissociavelmente ligados de uma forma que não permite que um seja visto apenas como “efeito” do outro, antes ser emerge apenas em e através de lugar. A questão do ser deve ser entendida a esta luz, de tal forma que a questão do ser se desdobra na questão do lugar. Para além disso, uma das características intrigantes do trabalho de van Buren é que, embora não tematize o conceito de lugar de forma significativa, não deixa de pintar um quadro do pensamento inicial de Heidegger em termos de uma proliferação de ideias e imagens de lugar, casa, situação e envolvimento — sugerindo mesmo, a certa altura, que “em 1921 Heidegger já usava o termo Dasein no sentido de um sítio de ser”.