Segunda face do dilema: privilegiar um modo como literal implica degradar o outro a derivado e negar espacialidade própria ao ser-aí
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Se um entre contenção e envolvimento é tomado como modo primário de espacialidade, então o outro só pode ser admitido como modo secundário e derivado, ou então excluído como espacialidade propriamente dita.
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Se o sentido primário é o da contenção, então a espacialidade do ser-aí, associada ao envolvimento, só seria compreensível como derivada de algo que não é próprio ao ser-aí, o que impede falar de espacialidade própria do ser-aí.
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A derivação ontológica da espacialidade existencial a partir da mundanidade reforça essa consequência, pois a espacialidade do ser-aí aparece duplamente dependente e, por isso, conceitualmente precarizada.
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O desfecho problemático seria reconhecer que, estritamente, o ser-aí não tem espacialidade própria e que a analítica adequada exigiria expurgar referências espaciais, resultado considerado extremo, mas próximo ao caminho efetivo que o discurso heideggeriano parece seguir.