Heidegger coloca a questão da interpretação no centro do pensamento contemporâneo, não como uma filosofia da interpretação, mas como um exercício de esclarecimento da compreensão do ser, onde “pensar é falar, e a fala é uma escuta” (
Kant,
Opus postumum, p. 242), revelando a circularidade própria ao
Verstehen (compreensão), que projeta o
Dasein em suas possibilidades existenciais, como desenvolvido no §32 de
Ser e Tempo: “Como compreensão, o
Dasein projeta seu ser sobre possibilidades. Esse ser junto aos possíveis, sustentado pela compreensão, é ele mesmo um poder-ser. O projetar inerente à compreensão possui a possibilidade própria de se desenvolver mediante o exercício. Esse exercício, que dá forma à compreensão, nós o chamamos interpretação (
Auslegung). Nela, a compreensão apropria-se do que compreende ao compreender.”