O passado inautêntico do medo como esquecimento e encobrimento da lançadidade própria
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O passado constitutivo do medo, enquanto inautêntico, é determinado como um autoesquecimento, e isso não contradiz o fato de o medo reconduzir o Da-sein a si, pois o retorno opera segundo um horizonte deslocado.
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O autoesquecimento consiste em recuar diante da lançadidade própria, isto é, diante do nada de si que ameaça não a partir de fora, mas a partir do próprio ser lançado, de tal modo que o recuo se torna um encobrimento da ameaça mais própria.
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Esse recuo, entretanto, é simultaneamente um voltar-se, e o único voltar-se possível é para si mesmo como já lançado no ser-no-mundo cuidador, isto é, para o si mesmo tal como se encontra já ocupado e já engajado no mundo.
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O passado não pode ser apagado, mas pode ser coberto por uma lembrança autoesquecida do já-ter-cuidado-do-mundo, deslocando o horizonte do antes para aquilo que foi feito, vivido e administrado no cotidiano, e assim ocultando a dimensão própria do ter-sido.