KING, Magda; LLEWELYN, John. A guide to Heidegger’s Being and time. New York, NY: State Univ. of New York Press, 2001.
Heidegger introduz o presente capítulo lembrando-nos da multiplicidade de fenômenos que a Análise Fundamental Preparatória tornou acessível. Tal multiplicidade é exigida positivamente pelo caráter revelador do aqui-ser, pois “a origem ontológica do ser do Da-sein não é ‘menos’ do que aquilo que surge dele, mas o excede em poder desde o início. Qualquer ‘surgimento’ [Entspringen] no campo da ontologia é degeneração” (SZ, 334). Essas reflexões não são introduzidas por Heidegger incidentalmente, mas para antecipar a expectativa errônea de que a análise temporal reduzirá a complexidade do cuidado a um último e uniforme tijolo de construção. Em seus esforços para alcançar o “último”, a filosofia tem sido frequentemente induzida a buscar um bloco de construção simples e indiferenciado a partir do qual toda a realidade pudesse ser construída. O objetivo da análise a seguir não é dissolver todos os fenômenos existenciais na temporalidade, ou “deduzi-los” ou “derivá-los” do tempo, mas mostrar que sua complexidade não poderia ser um todo original, exceto com base na unidade extática da temporalidade. Além disso, a penetração na “origem” ontológica do cuidado não deve ser esperada “para chegar a coisas que são onticamente evidentes para o ‘entendimento comum’, mas é precisamente isso que abre a questionabilidade de tudo” (SZ, 334). O que poderia ser mais óbvio, por exemplo, do que a cotidianidade com que a análise existencial começou? É, no entanto, precisamente esse fenômeno óbvio que surgirá no final deste capítulo como um problema central e muito intrigante, que direcionará a investigação para a questão da história e da historicidade.