Linguagem (1985:V)

HERRMANN, Friedrich-Wilhelm von. Subjekt und Dasein: Interpretationen zu “Sein und Zeit”. Frankfurt am Main: V. Klostermann, 1985.

ONTOLOGIA FUNDAMENTAL DA LINGUAGEM

1. A abertura e a transcendência como âmbito da pergunta ontológico-fundamental pela essência ontológico-existencial da linguagem

1. A essência ontológico-existencial da linguagem radica na abertura (Erschlossenheit) bidimensional do ser-aí (Dasein), na qual a existência se abre a si mesma de maneira ekstático-própria e, simultaneamente, abre de maneira ekstático-horizontal o ser, o mundo e os entes, constituindo a transcendência originária que precede tanto a relação intencional com os entes quanto toda linguagem verbalmente pronunciada.

2. A peculiaridade da cooriginariedade existencial do discurso com a disposição afetiva e a compreensão

2. O discurso (Rede) é cooriginário com a disposição afetiva (Befindlichkeit) e a compreensão (Verstehen) não como um terceiro existencial autônomo acrescentado a ambas, mas como a articulação originária que perpassa conjuntamente o estar-lançado afetivamente aberto e o projetar compreensivo, de modo que toda abertura do ser-aí já se encontra essencialmente estruturada pela linguagem.

3. A essência da linguagem como articulação da abertura ekstático-horizontal e própria do sentido; o articulado como totalidade significativa aberta de maneira própria e ekstático-horizontal

3. A essência da linguagem consiste em articular o sentido (Sinn) aberto no projeto lançado, estruturando a possibilidade bidimensional do ser-no-mundo como totalidade significativa (Bedeutungsganze), na qual a abertura própria e ekstática das possibilidades da existência permanece inseparável da abertura horizontal do mundo e de sua rede de remissões.

4. O pronunciamento na totalidade sonora das palavras como modo de ser “mundano” da essência da linguagem; corporeidade e vocalização

4. O pronunciamento da totalidade significativa articulada confere ao discurso um modo de ser “mundano” ao fazê-lo vir à palavra na vocalização corpóreo-vocal, sem convertê-lo na expressão externa de representações interiores, pois aquilo que se pronuncia é a própria abertura ekstático-horizontal do ser-no-mundo, que adquire nas palavras um modo peculiar de presença entre os entes.

5. Aquilo sobre o que se discorre, aquilo que é dito, comunicação e pronunciamento como momentos estruturais da articulação discursiva no âmbito do descobrimento dos entes

5. A articulação discursiva determina não apenas a abertura de ser e de mundo, mas também o descobrimento dos entes e a automanifestação do ser humano mediante quatro momentos constitutivos — aquilo sobre o que se discorre (Beredetes), aquilo que propriamente se diz (Geredetes), a comunicação (Mit-teilung) e o pronunciamento de si (Sichaussprechen) —, pelos quais toda compreensibilidade ôntica se mostra originariamente atravessada pela essência da linguagem.

6. A determinação essencial da poesia no horizonte da questão ontológico-fundamental; as possibilidades existenciais da disposição afetiva e o discurso poético

6. A poesia constitui um modo eminente de discurso no qual possibilidades existenciais abertas pela disposição afetiva alcançam a palavra e tornam visíveis o mundo, os entes intramundanos e a existência humana em sua pertença recíproca, porque o existir poético permanece mais intensamente exposto ao abrir afetivo do ser-no-mundo e pode articular possibilidades inacessíveis à existência cotidiana.

7. A constituição ekstático-horizontal do ouvir e do silenciar como possibilidades existenciais do falar discursivo

7. O ouvir e o silenciar pertencem originariamente ao caráter dialógico do discurso como modos ekstático-horizontais do ser-com, pois o ouvir recebe compreensivamente a manifestabilidade articulada pelo outro, enquanto o silenciar constitui um modo de dizer que pode fazer compreender algo sem vocalização e manter os participantes conjuntamente junto ao ente em questão.

8. A posição do fenômeno existencial do discurso em Ser e tempo; crítica às objeções críticas

8. O discurso não é afastado pela decadência (Verfallen) nem constitui um terceiro momento estrutural da cura (Sorge) coordenado à disposição afetiva e à compreensão, pois sua função articuladora atravessa cooriginariamente a totalidade da cura — o anteceder-se-a-si, o já-ser-em e o ser-junto-a — e determina tanto a abertura lançada e projetiva quanto o descobrimento ocupado dos entes, permanecendo atuante nos modos próprio e impróprio da existência.