A ausência dos textos filosóficos fomentou a crença equivocada de que
Marx teria anunciado o fim da filosofia em benefício da ciência positiva, interpretando precipitadamente a XI Tese sobre Feuerbach como um licenciamento do pensamento em favor da ação política, da economia e da sociologia, tese sustentada por autores como Herbert
Marcuse, que vê na transição de
Hegel para
Marx a passagem para uma ordem de verdade não filosófica, e Ernest Mandel, que reduz o pensamento de
Marx a uma constatação prática da miséria operária e a um apelo revolucionário expurgado de escorias filosóficas; essa leitura positivista é tributária da influência de Engels, cujos interesses intelectuais gravitavam em torno da química, da física e das ciências naturais, levando-o a comparar a teoria da história de
Marx às descobertas de Charles Darwin e a introduzir digressões nos prefácios de O Capital, sugerindo que o saber inaugurado por
Marx seria uma ciência entre as outras, comparável à biologia, o que constitui a negação da especificidade do saber filosófico como teoria dos fundamentos.