A ideia de que a realização do ser passa pela mediação do contrário encontra-se também na última filosofia de Friedrich Wilhelm Joseph von
Schelling, onde o
Grund (fundamento) não é uma origem positiva, mas um princípio ilegítimo que deve ser negado para que a positividade emerja; essa estrutura, denominada por
Schelling como a “ironia de Deus”, manifesta-se exemplarmente na cruz de Cristo e revela que a história é um processo onde o verdadeiro se disfarça no seu oposto, construindo pacientemente aquilo que irá destruir, uma lógica que
Marx transpõe para a análise das lutas de classes, vendo na ação da burguesia a preparação inconsciente da sua própria ruína.