A formulação célebre da crítica da religião na Introdução da
Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel, ao afirmar liminarmente que para a Alemanha a crítica da religião está no essencial acabada, indica que tal crítica não pertence propriamente ao pensamento original de Karl
Marx, mas inscreve-se na unidade do campo ideológico alemão, sendo tomada de Ludwig Feuerbach e sobredeterminada pelo idealismo de Bruno Bauer; essa filiação revela-se no fato de que tanto o materialismo de Feuerbach quanto o idealismo de Bauer obedecem a um mesmo esquema de análise, o esquema da consciência, onde a religião é interpretada como uma concepção ou um produto da consciência, uma representação posta pelo sujeito que, embora exteriorizada como essência estranha, permanece subordinada à sua origem produtora, tal como
Marx já admitira no prefácio de sua tese doutoral ao adotar a profissão de fé de Prometeu e recusar qualquer divindade que não a consciência de si humana.