A afetividade permite decifrar o mundo como sonho terrível e, ao mesmo tempo, constitui concretamente a libertação, pois a passagem da miséria desejante à paz ascética ocorre como transformação das tonalidades afetivas.
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A essência comum das coisas revela-se concretamente pelo sentimento.
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Alegria celeste, serenidade íntima e repouso profundo caracterizam a superação da alternância entre desejo, medo, esperança, prazer e sofrimento.
A metafísica da vontade é frequentemente uma metafísica da afetividade, pois o termo vontade reúne não apenas decisões e volições, mas desejos, aversões, esperanças, temores, amores, ódios, prazeres, dores, bondade, maldade e tudo aquilo tradicionalmente atribuído ao coração.
A afetividade não constitui acidente empírico acrescentado exteriormente à vida, mas sua estrutura apriorística e absoluta, pois a fonte do sofrimento encontra-se no próprio ser vivo.
O projeto de uma teoria apriorística da afetividade fracassa porque esta não é compreendida a partir da auto-afetação originária da vida, mas explicada pelo conceito ôntico do querer-viver como desejo, necessidade e apetite jamais satisfeitos.
A afetividade é explicada de maneira naturalista pela satisfação ou frustração da necessidade, pois o desejo produziria prazer ao alcançar seu objetivo e sofrimento ao encontrar um obstáculo.
A definição da afetividade como efeito do desejo subordina suas leis e sua história a um princípio exterior, convertendo-a em consequência posterior da vontade e tornando ilusória a pretensão de reconhecê-la como a priori.
A satisfação e a insatisfação são explicadas segundo o sucesso ou o fracasso da vontade em alcançar aquilo de que carece, como se a constituição da realidade pelo manquejo de ser fosse a condição de possibilidade do prazer e da dor.
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A vontade, enquanto falta de realidade, é apresentada como fundamento das tonalidades afetivas.
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A teoria pretende deduzir a afetividade da estrutura carente do querer-viver.
A infinitude do desejo estabelece uma desigualdade entre sofrimento e satisfação, pois toda satisfação é breve, secundária e puramente negativa, consistindo apenas na suspensão momentânea de uma necessidade ou dor originária.
A insatisfação desempenha um papel duplo, pois aparece tanto como consequência da frustração de um desejo quanto como determinação originária pertencente ao próprio desejo antes de qualquer resultado.
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A afetividade deixa de ser efeito da vontade quando a necessidade já se apresenta desde o início como sofrimento.
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Desejo e necessidade pressupõem uma modalidade afetiva anterior que os torna possíveis.
A tese tradicional que deriva as tonalidades afetivas de um conatus prévio é circular, pois as ideias de desejo satisfeito ou insatisfeito já contêm a afetividade que deveriam explicar.
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Alcançar um objetivo não produz por si mesmo qualquer sentimento, como demonstra a flecha que atinge o alvo sem experimentar satisfação.
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Apenas um ser originariamente afetivo pode viver o êxito ou o fracasso como prazer ou sofrimento.
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A vontade somente pode modular seus sentimentos porque já é um querer afetivamente autoexperimentado.
A impotência do desejo para alcançar uma realidade adequada não explica por si mesma o sofrimento, pois a existência somente pode experimentar sua insatisfação e possuir uma história trágica porque é originariamente afetiva.
A precedência da vontade sobre a afetividade sofre uma inversão silenciosa quando a dor passa a anteceder o desejo, suscitá-lo e lançá-lo para além de si na tentativa de escapar de seu próprio sofrimento.
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Todo desejo nasce de uma necessidade, uma falta e uma dor.
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A falta somente se transforma em necessidade quando afeta um ser capaz de sentir.
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A própria dor, incapaz de suportar-se, converte-se em desejo de ultrapassamento.
A explicação corporal do prazer e da dor confirma involuntariamente a precedência da afetividade, pois uma ação sobre o corpo somente se torna contrária ou favorável à vontade quando é imediatamente experimentada como impressão dolorosa ou agradável.
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Prazer e dor não são representações, mas afecções imediatas do querer corporal.
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A explicação do sentimento pelo querer pressupõe o caráter impressionável que deveria fundamentar.
A análise do recalque decide a relação entre vontade, afetividade e vida ao partir da separação entre a vontade poderosa e cega e a representação iluminadora, porém impotente.
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A vontade não conhece e o intelecto não quer, de modo que a representação se submete ao poder do querer ao fornecer-lhe luz.
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A relação entre ambos não é cooperação equilibrada, mas domínio da vontade sobre um intelecto desprovido de eficácia própria.
O intelecto convertido em servo da vontade deixa de cumprir sua função de mostrar e passa a ocultar, pois a vontade pode proibir determinadas representações, interromper séries de ideias e desviar a atenção para outros conteúdos.
A passividade do intelecto fundamenta uma teoria da memória e do esquecimento na qual a vontade decide quais conteúdos podem aparecer diante do espírito.
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A vontade constitui a base permanente da conservação e da recordação.
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O esquecimento resulta da recusa de deixar uma representação entrar na consciência.
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Aquilo que mais ameaça a vontade pode permanecer encoberto mesmo durante um exame aparentemente completo das possibilidades.
A teoria da loucura aprofunda a problemática do esquecimento ao explicar o transtorno mental como recalque de representações contrárias aos interesses, ao orgulho e aos desejos da vontade.
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Conteúdos agradáveis entram espontaneamente na consciência e retêm a atenção, enquanto os dolorosos são evitados ou abandonados.
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A resistência da vontade ao aparecimento de conteúdos insuportáveis abre a possibilidade da loucura.
A experiência normal exige acolher representações dolorosas vinculadas à ordem necessária do mundo, mas a recusa absoluta de um conteúdo insuportável cria uma lacuna na consciência que a vontade preenche com lembranças inventadas ou reorganizadas.
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O recalque retira acontecimentos e detalhes da cadeia representativa.
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A necessidade de continuidade produz um passado fabricado e ligações arbitrárias entre fenômenos.
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A loucura surge quando a lacuna deixada pelo conteúdo recusado é preenchida por uma construção imaginária.
A loucura não deriva propriamente de uma deficiência da memória, da razão ou da percepção, pois essas faculdades permanecem capazes de operar corretamente quando não são perturbadas pelo poder exterior da vontade.
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O doente pode raciocinar adequadamente, compreender o presente e reconhecer relações causais.
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As perturbações incidem sobretudo na relação entre o presente e acontecimentos ausentes ou passados.
O rompimento do fio da memória não resulta da incapacidade representativa de conservar lembranças, mas da proibição imposta pela vontade a determinados conteúdos, produzindo uma lacuna e seu preenchimento artificial.
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Memória, razão e percepção sofrem efeitos paralelos da cisão entre uma representação passiva e uma vontade poderosa.
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O recalque consiste no poder da vontade de repelir aquilo que a representação poderia tornar consciente.
A teoria do recalque enfrenta a aporia de explicar como uma vontade inteiramente cega pode reconhecer antecipadamente uma representação incompatível, recusá-la e ocultá-la antes ou depois de sua entrada na consciência.
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Para rejeitar um conteúdo, a vontade precisaria conhecê-lo, embora seja definida pela ausência de conhecimento.
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A união entre vontade e representação permanece sem princípio explicativo.
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O inconsciente recebe clandestinamente um saber que lhe permite entrever aquilo que pretende encobrir.
O recalque não é motivado pelo conteúdo representativo em si, mas pela dor, pela angústia e pela repugnância afetiva que acompanham a representação, tornando a afetividade condição prévia de toda teoria do recalque.
A explicação empirista da carga afetiva por associação com acontecimentos traumáticos transforma essa carga em elemento contingente e exterior, reduzindo o recalque a mecanismo ocasional e impedindo que ele seja compreendido como lei geral da vida psíquica.
A afetividade da representação somente pode ser fundada quando se reconhece que todo conteúdo representado aparece no interior de uma vida originariamente afetiva e recebe dela a tonalidade pela qual se torna suportável ou insuportável.
A vontade não recalca diretamente uma representação conhecida, pois o poder de rejeição pertence à própria vida afetiva que se contrai diante de uma experiência insuportável e modifica o campo representativo para escapar dela.
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O recalque deve ser compreendido a partir da auto-afetação e não da ação misteriosa de uma faculdade inconsciente sobre outra.
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A dor contém imediatamente a tendência de afastar aquilo que intensifica seu sofrimento.
A relação entre afeto e representação não resulta da justaposição de duas realidades independentes, pois toda representação concreta já se encontra imersa na afetividade da vida e toda tonalidade é a maneira pela qual essa vida se experimenta diante do conteúdo.
A afetividade constitui a condição elementar da experiência e do recalque porque somente um ser capaz de sofrer pode afastar, deformar ou substituir uma representação, enquanto a mera representação permanece inteiramente impotente.
A dificuldade de
Schopenhauer em explicar a união entre vontade e representação provém da ausência de uma fenomenologia da afetividade capaz de mostrar como o poder e a manifestação coincidem na autoexperiência da vida.
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A vontade é concebida ora como força inconsciente exterior aos sentimentos, ora como o conjunto dos próprios impulsos e tonalidades.
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Essa ambiguidade impede distinguir claramente vontade, afeto e representação.
Duas concepções da afetividade coexistem em
Schopenhauer: uma a reduz a efeito posterior do desejo, enquanto a outra a reconhece implicitamente como essência originária da vida e condição de todo querer.
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A primeira concepção sustenta explicações causais e naturalistas.
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A segunda emerge nas análises da dor, do corpo, do recalque e da experiência imediata.
A tentativa de derivar afetos de uma vontade inconsciente incorre no mesmo círculo posteriormente encontrado em
Freud, pois somente uma pulsão já afetiva pode produzir prazer, desprazer, atração ou repulsa.
A significação fenomenológica da afetividade não pode ser inteiramente apagada, pois cada tonalidade revela-se imediatamente a si mesma e constitui a própria possibilidade interior da vontade.
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A afetividade pode revelar a vontade como sua auto-afetação, fazendo coincidir manifestação e ser.
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Nenhum querer existe fora dessa autoexperiência originária.
Schopenhauer, contudo, separa o sentimento da vontade ao reduzir o primeiro a fenômeno e manter a segunda fora da manifestação, reproduzindo entre ambos a relação kantiana entre fenômeno e coisa em si.
Medo, esperança, alegria, desejo, inveja, tristeza e cólera tornam-se sinais exteriores de uma vontade oculta, como a fumaça que permite supor um fogo invisível, de modo que a experiência viva do desejo é reduzida à tradução suspeita de uma pulsão inconsciente.
A teoria dos afetos como efeitos de uma instância inconsciente aprofunda a ocultação de sua fenomenalidade e permite construir especulativamente a ideia de que cada indivíduo deverá experimentar todas as paixões e sofrimentos da vontade infinita.
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A transmigração das almas e a retribuição universal dos atos são deduzidas da presença integral da vontade em cada querer.
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Essa construção contém, sob forma racionalizada, o mito do eterno retorno.
A Metafísica do amor explica o sentimento amoroso por uma vontade inconsciente que deseja eternamente a vida e se manifesta fundamentalmente como instinto sexual voltado para a continuidade ilimitada das gerações.
A identidade entre vontade, querer-viver e instinto sexual conduz à explicação de toda paixão pela sexualidade, não como simples redução positivista, mas como consequência de uma metafísica que relega a afetividade à aparência e procura seu princípio numa vontade inconsciente.
A vontade integral da espécie utiliza o indivíduo para realizar a continuidade da vida, criando nele a ilusão de perseguir sua felicidade pessoal quando trabalha efetivamente pela reprodução e pelos interesses das gerações futuras.
As preferências amorosas por determinadas características corporais são interpretadas como estratégias inconscientes do gênio da espécie para corrigir defeitos, produzir descendentes adequados e iludir os amantes com a promessa de felicidade pessoal.
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A paixão antecipa como felicidade individual a realização reprodutiva da vontade.
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A cegueira do amor resulta de sua orientação para um terceiro ainda não nascido.
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A afetividade é declarada ilusória e perde completamente seu poder próprio de revelação.
A suposta ilusão amorosa não pertence ao sentimento, mas à representação consciente de seus objetivos, pois o afeto é sempre exatamente aquilo que se manifesta, embora possa receber uma interpretação falsa acerca de sua finalidade.
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A verdade representativa atribui à sexualidade a perpetuação da espécie, enquanto a ilusão a apresenta como busca da satisfação individual.
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A confusão entre afetividade e representação permite declarar enganoso aquilo que, como sentimento, não pode deixar de ser real.
A negação da autorrevelação afetiva torna incerta a realidade e a localização do sentimento, dividindo-o artificialmente entre tonalidades limitadas do indivíduo e paixões infinitas atribuídas ao gênio eterno da espécie.
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A intensidade do amor é explicada por objetivos universais supostamente superiores às necessidades do indivíduo passageiro.
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Os sofrimentos e alegrias do amante tornam-se efeitos de uma vontade que não lhe pertence plenamente.
A redução da afetividade à compreensão representativa reaparece na interpretação do remorso, da vergonha e das experiências de libertação como consequências de conhecimentos metafísicos acerca da vontade e do mundo.
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O remorso seria tristeza produzida pelo reconhecimento de que ainda se pertence à vontade cega.
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A vergonha corporal e sexual derivaria do conhecimento do corpo como objetivação do querer-viver.
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A essência fenomenológica das tonalidades é substituída por significações intelectualmente acrescentadas.
A submissão dos sentimentos ao princípio de individuação divide-os entre aqueles enganados pela separação individual e aqueles produzidos por um conhecimento capaz de ultrapassá-la.
A doutrina do véu de Maia dissolve as diferenças reais entre alegria e dor, criminoso e vítima, ao subordinar as tonalidades à unidade conhecida da vontade e negar sua fenomenalidade específica.
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A compaixão, a caridade, a santidade e o misticismo recebem seu poder de uma visão intelectual que atravessa o princípio de individuação.
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A afetividade torna-se dependente do conhecimento, enquanto suas diferenças concretas são privadas de realidade.
A afetividade, reduzida a modificação conhecida da vontade, perde definitivamente o poder de revelar e retorna à condição clássica de facticidade cega diante de um sujeito cognoscente concebido como único espelho da manifestação.
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A consciência divide-se entre um elemento conhecido, a vontade com suas tonalidades, e um elemento cognoscente acrescentado posteriormente.
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A vontade e os sentimentos são considerados essenciais quanto ao conteúdo, mas incapazes de manifestar a si mesmos.
Apesar dessas insuficiências, O mundo como vontade e como representação abre à filosofia moderna o caminho da vida ao colocar a afetividade no centro de sua problemática e preparar os avanços decisivos de
Nietzsche, que continuaria reconhecendo
Schopenhauer como seu grande mestre.