Quanto ao modo mais preciso de compreender a relação em Deus entre o ser e a existência, essa existência que distinguimos não é distinta dele, diz
Fichte, sendo tão primitiva quanto seu ser, não podendo se considerar o ser divino à parte do processo pelo qual emerge na luz, como já pensara Bœhme, não sendo o Pai dissociável do Filho que engendra eternamente
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o Verbo, dizia São João, está em Deus, ou antes é o próprio Deus, avançando-se na afirmação da unidade do ser e da existência apenas a permanência desta sob a forma do Logos no ser originário do Pai, sua pertença à estrutura interna do absoluto
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a diferença é tão pouco suprimida pela unidade do ser e da existência que é antes posta por essa unidade, e de modo tão radical que é sobre o fundo dessa unidade que o absoluto se encontra entregue à diferença como sua própria essência
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a unidade do ser e da existência tem por consequência a divisão do ser, sua autosseparação de si e, como diz
Fichte, sua expulsão para fora de si, não sendo o que no ser de Deus lhe é exterior algo estranho a esse ser, mas o próprio ser de Deus enquanto existe, sendo a alienação real como constituindo sua essência mesma
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é como imanente à vida interna do ser, ou antes como estrutura mesma dessa vida, que a exterioridade se desdobra, podendo partilhar o ser morto em si num ser por assim dizer repetido duas vezes, colocando-o diante de si mesmo, não sendo assim a existência diferente do ser, mas o que faz esse ser diferente de si
As análises anteriores tomam sua significação ontológica concreta situadas no quadro fenomenológico do qual constituem uma definição, aparecendo que a passagem do ser-em-si ao ser-para-si consiste na posição do ser fora de si, sendo esse estar-fora-de-si o para-si do ser-em-si, sua existência
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nesse estar-fora-de-si, o ser-em-si torna-se outro, aliena-se, e nessa alienação realizam-se as próprias condições de sua manifestação, sendo a alienação a essência da manifestação
O ser que se manifesta é o ser presente, sendo a essência da presença a alienação, constituindo-se a presença a si do ser numa mesma unidade com sua separação de si no devir outro, desdobramento no qual ele se aparece a si mesmo e entra assim na condição fenomenal da presença
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Sartre afirma que toda presença a implica dualidade e portanto separação, que a presença do ser a si implica um descolamento do ser em relação a si, e que a presença é uma degradação imediata da coincidência, pois supõe a separação
As condições que definem a possibilidade de uma presença e constituem sua essência têm significação universal e transcendental, tendo sido pensadas sob o título de distância fenomenológica, determinação eidética insuperável do ser real
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compreendido em sua significação existencial e transcendental, o conceito de distância fenomenológica é idêntico ao conceito originário e ontologicamente puro de alienação, sendo esta insuperável, pois o ser só existe e se manifesta enquanto ser alienado e a realidade só é real enquanto é a um só tempo ela mesma e outra que si mesma
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a alienação não é apenas uma estrutura eidética entre outras, mas a estrutura mesma da essência enquanto essência absoluta, sendo a supressão da alienação uma impossibilidade eidética e, do ponto de vista ontológico, um absurdo, pois tal supressão só poderia ser algo se as condições da realidade nela se realizassem, e estas só se realizam no fenômeno originário da alienação
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a alienação abre e define o campo do ser, sendo estrutura ontológica última cuja supressão não teria significação ontológica, sendo antes posta e mantida em tal supressão como o fenômeno ontológico originário que a funda, não suprimindo o retorno do outro ao mesmo, que
Fichte chama vida, a dualidade mas antes a pressupondo como seu fundamento
Questiona-se o que pode significar a supressão da alienação se não concerne ao fenômeno ontológico assim pensado, e o que entender pela unidade do outro e do mesmo se a alteridade subsiste como condição mesma dessa unidade, unidade que é a da presença
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é porque a essência da presença lhes é imanente como poder ontológico originário que os sentidos nos unem às coisas e o olhar nos leva até a árvore na colina, sendo a unidade do homem e do mundo uma unidade ontológica que suprime a alienação por ser idêntica à liberdade
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a essência ontológica dessa unidade não é porém outra coisa senão a alienação, sendo a diferença a essência da unidade, e a essência da presença assim pensada recebe estrutura determinada, a de uma presença obtida pela mediação da distância fenomenológica, sendo a proximidade em que essa presença nos faz viver idêntica ao afastamento absoluto que o trabalho ontológico nos abriu, uma proximidade no longínquo
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Hölderlin diz que nos separamos apenas para estarmos mais unidos, para estarmos numa paz mais divina com todas as coisas e conosco mesmos, encontrando essa união seu princípio naquilo que separa, obtendo-se a presença sobre o fundo do rasgo e da divisão
A presença do ser a si não se distingue, portanto, de sua distância em relação a si, prescrevendo a essência da presença ao dado caracteres específicos conforme os quais aparece como outro no meio da alteridade, sendo o que nos é dado o que nos é retirado
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o ser está aí para ele como algo que ele não é e do qual o separa, enquanto ele é, uma distância intransponível, explicando-se assim que o ser presente possa ser desejado e que esse desejo seja vão, pois sendo a essência incapaz de se superar a si mesma, ela se fecha sobre si e só se dá a si como aquilo de que eternamente carece
A presença é o fundamento do conhecimento, tema da conhecimento transcendental que se ocupa não dos objetos mas de nosso modo de conhecê-los enquanto deve ser possível a priori, sendo o ser dos objetos porém o próprio a priori
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ao prescrever aos objetos as condições de sua possibilidade, o a priori lhes confere os caracteres decorrentes do querer da essência, manifestando-se os objetos como separados que o conhecimento jamais alcança senão pela mediação dessa própria separação, sendo assim o conhecimento sempre conhecimento daquilo que não somos, daquilo que não conseguimos ser
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o desejo de conservar o benefício da presença a si sem sofrer os inconvenientes da distância a si permanece um sonho, tendo o ser se separado de si para se dar a presença a si, sendo a vontade de reencontrar-se verdadeiramente superando essa separação de outro modo que por sua própria mediação apenas uma paixão inútil, sendo o ser o desejo de si, sua própria nostalgia