Nos
Beiträge, Heidegger medita incessantemente o abismo da
diferença do Estre e do ente, marcando o profundo clivagem entre
ser e
aître.
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Cabe ao ente ser (sein).
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O Estre, quanto a ele, não pode mais ser dito ser (no regime do ente), mas sim aître ou aîtrer (wesen), no sentido de ali ter aître e ali desdobrar seu aître.
Uso rigoroso dos dois verbos: onde o ente é [ist], o Estre, quanto a ele, aître [west].
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Definição da
aîtrée do Estre.
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Se o Estre, considerado em seu próprio aître, deve ser dito aître (wesen) no sentido de ali desdobrar seu aître para ali ter sua morada (e nomeadamente na palavra e na língua, e na hospitalidade dos humanos, do aître humano), todo o movimento próprio à movimentação do próprio Estre como o Acontecimento pode por sua vez ser considerado como sendo sua aîtrée.
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A aîtrée do Estre como Acontecimento (die Wesung des Seyns als Ereignis) é, portanto, o movimento pelo qual o Estre, entendido como Acontecimento, deve ser doravante considerado em toda a eventualidade e eventualidade topológica, imemorial, que não é outra senão a de sua aîtrée.
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Caracterização final da
aîtrée do Estre.
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A aîtrée do Estre seria a própria maneira pela qual o Estre (à diferença de todo ente), no próprio movimento de sua dispensação historial, ali aître enquanto Acontecimento – ali dando propriamente tempo e lugar – aître – à história do Estre – ao mesmo tempo em que ali tem lugar, nesta história e aventura, implicando estreitamente o aître do ser humano (das Menschenwesen), seu séjour e sua morada.
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É esta história e aventura, toda esta movimentação da aîtrée do Estre como Acontecimento, que a meditação perseverante de Heidegger ousa considerar, pela primeira vez nestes termos que constituem sua assinatura e seu enigma maior.