A gênese conceitual da intuição hermenêutica em 1919 revela a influência de Edmund
Husserl e estabelece que a experiência humana do mundo ocorre primariamente através de uma camada de significação imediata e não como dado teórico bruto.
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Conexão entre intuição e a intencionalidade husserliana.
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Crítica à visão nominalista do mundo como massas em movimento.
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Caráter intrínseco da significabilidade na vida vivida.
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Rejeição da ideia de um mundo inicialmente desprovido de sentido.
A radicalização do conceito de intuição desloca o foco da hermenêutica da interpretação textual da tradição para a esfera dramática da existência onde o próprio sujeito está constantemente em jogo.
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Ecos de Wilhelm
Dilthey e Edmund Husserl.
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Motivação existencial da vida fática.
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Avaliação de Ben Vedder sobre a ruptura com a hermenêutica tradicional.
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Caracterização do intuir como um compreender interessado.
A definição de facticidade caracteriza o Dasein não como um objeto observável posto diante do sujeito, mas como um cumprimento ativo de ser que deve ser compreendido em seu modo transitivo e intransferível.
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Significado da expressão “a cada vez este Dasein”.
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Análise etimológica de Gegenstand como o que se opõe.
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Conceito de Nichtweglaufen ou não fugir de si.
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Facticidade como exercício e não contemplação.
A redefinição da hermenêutica como indicação do modo unitário de acesso à facticidade distancia-se das doutrinas metodológicas modernas para focar na inquietude e no cuidado inerentes à experiência vivida.
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Centralidade do cuidado ou Sorge.
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Retorno ao sentido original de Auslegung.
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Vivência da facticidade no modo do ser-concernido.
A escolha do termo hermenêutica justifica-se pela constituição intrínseca do Dasein, que existe necessariamente como um ente capaz de interpretação, necessitado dela e sempre já imerso em uma compreensão de si.
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Capacidade de interpretação ou auslegungsfähig.
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Necessidade de interpretação ou auslegungsbedüftig.
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Existência no interior de uma interpretatividade.
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Inseparabilidade entre facticidade e autointerpretação.
A função emancipatória da hermenêutica consiste em combater a autoalienação da facticidade para despertar o Dasein para uma vigilância radical em relação ao seu próprio caráter de ser.
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Conceito de Selbstentfremdung ou autoalienação.
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Objetivo de tornar o Dasein acessível a si mesmo.
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Noção de vigília radical ou wurzelhafte Wachheit.
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Alvo na facticidade particular de cada indivíduo.
A condição de ausência ou Wegsein característica da vida fática exige uma hermenêutica ofensiva que opera como um rastreamento da alienação e se conecta ao conceito metodológico de destruição.
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Paradoxo de estar lá sem estar lá.
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Caráter de ataque da abordagem hermenêutica.
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Rastreamento das formas de esquiva do Dasein.
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Introdução do termo Destruktion.
A dinâmica interna da facticidade revela uma tensão onde o cuidado de si coexiste com uma tendência constante ao evitamento e ao apaziguamento, manifestando-se como uma queda na inautenticidade.
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Referência ao Relatório Natorp de 1922.
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Fenômeno do Verfallen ou decadência.
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Fuga diante da morte.
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Busca por tranquilidade ou beruhigen.
O acesso à existência, compreendida como o ser acessível a si mesmo da vida fática, exige uma destruição concreta dos motivos de movimento e encobrimentos que caracterizam a tendência à decadência.
A identidade entre hermenêutica e destruição estabelece-se através da tarefa de desmantelar as interpretações dominantes para alcançar as fontes originárias e os motivos ocultos da vida fática.
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Sinonímia prática entre os dois termos neste contexto.
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Desfazimento da interpretação recebida.
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Retorno reconstrutivo às fontes motivadoras.
O projeto inicial da hermenêutica da facticidade possui uma orientação existencial radical que visa sacudir o indivíduo para o despertar de si através da destruição das interpretações recebidas.
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Traços jovens hegelianos da abordagem.
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Finalidade última do auto-despertar.
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Radicalização da inquietude sobre si mesmo.