II. A vocação terapêutica da Daseinsanalyse: o vínculo médico-paciente
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A psicopatologia existencial desloca radicalmente os critérios clássicos de compreensão da doença mental.
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A partir do século XVIII, a psiquiatria tornou-se simultaneamente determinista e relativista, concebendo a doença como perda da liberdade e como variação psicológica da verdade.
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Binswanger reconduz a psicopatologia a uma perspectiva de liberdade e verdade, interpretando o mundo patológico como forma específica de projeção da liberdade humana.
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O universo do doente deve ser compreendido a partir das modalidades concretas de sua liberdade e não como simples efeito de determinações causais.
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Essa reorientação não implica um retorno à metafísica abstrata, mas um enraizamento da análise no fundamento da existência humana concreta.
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A Daseinsanalyse não formula teses ontológicas, mas afirmações ônticas relativas às possibilidades existenciais efetivamente escolhidas pelo Dasein.
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A ação terapêutica encontra seu fundamento na estrutura inter-humana da existência, no Mitsein, que jamais desaparece mesmo na doença.
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O vínculo médico-paciente não é um episódio secundário, mas o solo originário de toda possibilidade terapêutica.
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A terapia não deriva sua verdade do sucesso prático, mas a possibilidade da cura se abre a partir da verdade mesma da análise existencial.
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O médico não deve reduzir o paciente a um exemplar da espécie humana nem abordá-lo a partir de déficits abstratos, mas reconhecer suas possibilidades ainda abertas.
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A atitude terapêutica exige uma conversão afetiva e metodológica, afastando-se do positivismo médico e do humanitarismo abstrato.
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Curar não significa eliminar um déficit funcional, mas abrir novas possibilidades de existência e preparar o futuro do doente.