Por que razões obscuras seria inoportuno fazer ouvir, graças ao termo
factivo (não registrado em dicionários, mas conforme ao espírito da língua), a acepção precisa:
que indica que o sujeito do verbo tem a fazer a ação?
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Tudo o que é factivo tem de ser feito – e é feito, mesmo que num contraste muitas vezes mal suportável entre, por exemplo, o que é feito e o que deveria ser feito.
A factividade não é outro senão o rosto da própria condição humana, quando aparece em seu duplo dilaceramento.
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Entre, por um lado, o que há a fazer e o que não deve ser feito.
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Entre, por outro lado, o que deveria ser feito e o que é efetivamente feito.
Factividade, não facticidade.
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Se o que é feito pode frequentemente apresentar um caráter factício (artificial e, no fim, falso), o sentido no qual se desenrola a condição humana não é o de ser factícia.
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A factividade, pelo contrário, designa uma das possibilidades mais altas da existência humana: a de
entender-se a fazer ser.
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Factivamente, estamos sem cessar a fazer algo, mesmo que seja, na maioria das vezes, nem feito nem por fazer.
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A verdadeira relação entre factividade e facticidade é que a factividade é propriamente aquilo que a facticidade nunca consegue ser senão de modo impróprio.