Em grego antigo, uso corrente: designa um
bem, uma terra, casa, tudo o que é
a domicílio, em permanência.
Esta acepção primeira permite entrever para onde aponta Heidegger com o termo pré-ontológico: património, propriedade pensam-se num clima de permanência.
Platão, para nomear o ser verdadeiro (
to ontôs on), apropria-se de
ousía, que, partindo do verbo
ser, diz:
o ser daquilo que é, a
entância do ente.
Em latim, o verbo
ser não tem particípio presente.
-
Para traduzir o grego to on (o ente), atribui-se a Júlio César a introdução do vocábulo ens.
-
Cícero terá forjado essentia a partir de um particípio presente imaginário essens do verbo esse.
A tradução de
ousia por
essentia é aparentemente fiel, mas perde o enxame de ressonâncias da palavra grega.
Heidegger, trabalhando a acepção de
Wesen, busca apreender melhor o que, nos gregos, já começara a se fixar no termo
ousia.
-
Esforço heideggeriano, apoiando-se na experiência cardinal da existência humana (que percebe a diferença entre
ser e
ente), consiste em distinguir:
-
Escolher, para render o termo que diz o próprio do ser, a palavra que designa tradicionalmente a maneira de ser do ente seria trair uma inaptidão em captar o que Heidegger busca pensar.
-
A língua na qual este projeto tenta dizer-se ainda não existe; enfrenta grandes dificuldades.
-
Análise do sufixo
-escent,
-escente para iluminar a dimensão incoativa do
Wesen.
-
Sufixo vem do latim -escentem, desinência do particípio presente da forma incoativa.
-
Formas incoativas (inchoatives) enunciam que um processo está começando (ex: verdejar, envelhecer, morrer).
-
Constatar que um processo está entamado não basta; importa ver
como se produz este começo.
-
Exemplo latino: fervescere (de fervere). Lucrécio descreve uma fonte que começa a ferver ao cair da noite.
-
Em português, temos
efervescência (surabundância no borbulhar), mas não o adjetivo
fervescente.