Extremidade há em toda parte onde algo
termina, i.e., chega, atinge a limite que o delimita.
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Para os antigos gregos, este limite era visto como lugar de perfeição.
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O limite extremo é este termo onde nos atinge o deslumbramento evocado por Mallarmé, que ocorre cada vez que algo, vindo de além do limite, nos toca.
Advertência de Heidegger:
Deus ao extremo é, por ora,
impossível de pensar.
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No curso Was heißt Denken? (1951-52): O que mais deveria nos tornar pensativos é o fato de que ainda não pensamos.
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Paradoxo: não pensamos ainda, sendo nós, como humanos, aqueles que não cessam de ser chamados a pensar.
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Neste dilaceramento, se dele tivermos um pressentimento, estamos já numa certa relação com o tempo verdadeiro.
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Este tempo não se compreende pela distinção habitual de passado, presente e futuro.
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Exige que saibamos pensar em conjunto, com igualdade: o que, sendo passado, não cessa de ser; o presente da presença; e o futuro que não cessa de vir a nós.
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Deus ao extremo não é Deus num futuro extremo.
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A época que vivemos é a do
forçado (der tolle Mensch) de
Nietzsche, que clama:
Deus está morto! Ele não reviverá! E somos nós que o matámos!
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Este é o pensamento da humanidade de nossa época, seu último pensamento.
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É, apesar de tudo, um pensamento, pois, ao lançar o grito Deus está morto!, guarda memória, a sua revelia, do que é seu último Deus: o Deus feito homem, ou seja, um Deus capaz de morrer.
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Contraste com outras concepções do divino.
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Questão final: nosso pensamento será um dia suficientemente livre, suficientemente aberto – numa palavra, suficientemente extremo – para acolher Deus lá onde de preferência ele se encontra: no extremo?