Entender
Fug como
permissão é acentuar o aspecto essencialmente inaparente: manter aberta a dimensão dentro da qual tudo deve se manter como convém.
Para um grego, a justiça não é primeiramente de instituição humana; pensá-la como vinda de além até mesmo de uma instituição divina é ir no sentido do verdadeiro começo.
A permissão não fixa nada de antemão, mas não dá carta branca; os limites estão lá e é proibido transgredi-los.
Compreensão de
adikia a partir desta base.
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Heidegger propõe Un-Fug para traduzir o termo grego, destacando-o da acepção corrente (tumulto, inconveniência).
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Un-Fug é aquilo que impede todo desdobramento da permissão.
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A permissão abre à liberdade, que não se opõe à Lei, mas a reclama (inclusive na obediência à lei que a si mesmo se prescreve).
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Adikia é a contrapartida da permissão, o que se ergue contra ela como seu inimigo mais feroz.
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No orgulhoso desdém de toda norma, adikia pretende que ser livre é fazer só o que se quer.
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Mostra-se assim como a perversão da permissão.
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Este trabalho no começo permite discernir o que Heidegger visa ao dizer que se trata de ir,
passando pelos gregos, para além deles, longe para a frente e para fora (über das Griechische hinaus).
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O primeiro começo não é um
acontecimento passado.
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Ele não cessa, cada vez mais secretamente, de vir a nos concernir.
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Perceber esta avenance [Ereignis] é ser posto na obrigação de recomeçar, mas de outro modo, a começar.