4. Reapresenta-se aqui estado de coisas já constatado quanto ao evento de apropriação (
Ereignis), reconhecível nesse acontecer equilíbrio de fundo em que se substancia a co-pertença entre ser e homem: por um lado, o ser, em seu acontecer histórico-epocal, não pode ser reduzido a objeto ou produto de atividades humanas, evidenciando-se aí a finitude ou o ser-lançado (
Geworfenheit) próprio do homem; por outro, mantém-se, em seu acontecer histórico-temporal, referência estrutural ao homem, valendo o mesmo para a relação entre linguagem e homem — este não dispõe de modo absoluto ou arbitrário da linguagem, mas permanece o único ente que fala e mantém relação privilegiada com ela, como atesta exemplarmente a experiência da poesia, conceitualizando-se essa originária co-pertença mediante estrutura dialógica constituída entre um apelo (
Zuspruch) da linguagem dirigido ao homem e um corresponder (
Entsprechen) do homem à linguagem, remodulação linguística da co-pertença entre ser e homem.