A comunhão mais forte entre Fenomenologia e Tomismo parece situar-se no terreno da análise objetiva da essência, parecendo o processo da redução eidética — que abstrai do ser de fato e do acidental para tornar visível a essência — justificado, de um ponto de vista tomista, pela distinção entre essência e existência em todo ser criado.
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A identidade do processo de análise essencial em ambos exigiria prévia análise da abstração e intuição; a intuição fenomenológica não é simples contemplação da essência uno intuitu, mas comporta um trabalho de deslindamento das quididades (Wesenheiten) pela operação cognitiva do intellectus agens: abstração como omissão do fortuito e valorização positiva do essencial.
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O objetivo deste trabalho é a visão pacificadora (ruhendes Schauen), leitura interior conhecida também por São Tomás, que afirma confinar o intelecto humano, no ápice de sua performance, ao modo de conhecimento dos espíritos puros, embora pareça restringir tal performance ao olhar sobre os princípios; o problema reside, portanto, no entendimento do termo “princípios” e na medida da diferença entre Husserl e São Tomás quanto à extensão do acessível ao conhecimento intuitivo.
PS: Entrée en Métaphysique. Bruxelas: Casterman, 1962
On trouvera particulièrement éclairantes — et émouvantes à relire aujourd’hui, — ces interventions d’une disciple de Husserl, morte depuis martyre du nazisme (Journées d’études de la Société Thomiste, à Juvisy, sous la présidence de J. Maritain, le 12 septembre 1932) — publiées dans le volume intitulé « Phénoménologie », Le Saulchoir, Kain, Belgique, (éd. du Cerf). (Je reprends d’autant plus volontiers la traduction qu’elle y laisse beaucoup à désirer).