Contudo, o uso moderno do termo, desde o século XVI, associa entschließen à decisão e à resolução da vontade, implicando estabelecimento firme de uma possibilidade e rejeição de outras, o que, no contexto de Ser e Tempo, poderia indicar que o Dasein, libertando-se do impessoal, escolhe resolutamente sua própria possibilidade de ser mediante um ato de querer.
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Evolução semântica para decidir e resolver.
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Entschluss como decisão da vontade.
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Prefixo ent- como estabelecimento de condição.
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Fechamento sobre uma possibilidade determinada.
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Libertação do domínio do impessoal.
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Escolha resoluta da própria possibilidade.
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Em conversa com John
Sallis em 1975, Heidegger rejeita explicitamente qualquer relação entre Entschlossenheit e vontade, propondo compreendê-la como Geöffnetsein, o que suscita a questão acerca de qual interpretação corresponde ao sentido pretendido em Ser e Tempo.
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Declaração de que não tem relação com vontade.
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Proposta de leitura como abertura.
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Tensão entre interpretação voluntarista e não-voluntarista.
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No contexto de Ser e Tempo podem-se distinguir quatro leituras possíveis de Entschlossenheit: como decisão voluntária apesar de releituras posteriores; como já significando não-vontade segundo a experiência originária; como conceito internamente inconsistente entre vontade e Gelassenheit; ou como ambivalência dinâmica na qual o Dasein autêntico tanto escolhe resolutamente sua possibilidade quanto decide reiterar a interrupção desse querer.
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Primeira leitura como resolução voluntarista.
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Segunda leitura como antecipação da não-vontade posterior.
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Terceira leitura como tensão irresolúvel entre sentidos.
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Quarta leitura como ambivalência dinâmica entre querer e interrupção do querer.