Em conclusão à discussão do Nietzsche de Heidegger e em transição à consideração mais ampla do papel da vontade na história da metafísica e na sua época mais extrema da técnica, assinalam-se três pontos sobre o lugar de Nietzsche no pensamento heideggeriano: Nietzsche consegue dar a expressão mais direta ao ser dos entes tal como ele se revela, em extremo encobrimento, como vontade na época moderna, e na vontade de poder nietzschiana a vontade não assume mais a guisa da razão ou do espírito, mas aparece desmascarada como vontade de poder; no entanto, Nietzsche não pensa o ser como história do ser e, por isso, não vê que o ser aparece como vontade apenas numa época do abandono do ser, e nesse sentido Nietzsche não vê a vontade como signo de um estranhamento, mas vê-na metafisicamente como o factum último a ser suportado e afirmado, e assim seu pensamento, como tentativa de superar voluntariosamente o niilismo, é paradoxalmente o mais profundo enredamento no niilismo; mas esse mais profundo enredamento não é simplesmente a ser lamentado, pois a época extrema da vontade, o niilismo, a técnica, é bifronte, e na extrema miséria do abandono do ser reside a possibilidade de despertar para a necessidade do ser e, assim, a possibilidade de uma viragem para um outro início para além da vontade, e a história do ser deve ser compreendida como o horizonte em que Heidegger entende Nietzsche, o niilismo, a vontade e a possível viragem para o não-querer.
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Nietzsche dá expressão direta ao ser dos entes como vontade na época moderna.
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Na vontade de poder, a vontade aparece desmascarada, não como razão ou espírito.
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Nietzsche não pensa o ser como história do ser.
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Nietzsche não vê que o ser aparece como vontade apenas numa época do abandono do ser.
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Nietzsche vê a vontade metafisicamente como factum último a ser suportado e afirmado.
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O pensamento de Nietzsche é o mais profundo enredamento no niilismo.
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A época extrema da vontade é bifronte.
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Na extrema miséria do abandono do ser reside a possibilidade de despertar para a necessidade do ser.
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Essa possibilidade é a viragem para um outro início para além da vontade.
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A história do ser é o horizonte da compreensão heideggeriana de Nietzsche, do niilismo, da vontade e da viragem para o não-querer.