A dinâmica da vontade de poder não se reduz a uma redundância estática, pois o querer é essencialmente um querer-ser-mais, e o aumento e a elevação são implicados na vontade, a qual, para querer o aumento, deve primeiro querer preservar o domínio de poder estabelecido, e a mera pausa no aumento já é o início do declínio do poder, de modo que poder só pode empoderar-se a si mesmo para um sobrepoder ao comandar tanto o aumento quanto a preservação, momentos que se possibilitam mutuamente, embora o que é aumentado seja, em sentido fundamental, o mesmo que o que é preservado, e a vontade de poder, apesar de seu dinamismo, mova-se num círculo em expansão, porém fechado, da vontade de vontade.
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Na vontade, aumento e elevação são essencialmente implicados.
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A vontade de poder implica a vontade de aumento de poder.
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Para querer o aumento, a vontade deve primeiro querer preservar seu domínio de poder.
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A pausa no aumento já é o começo do declínio do poder.
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A preservação do poder exige um aumento incessante.
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O poder empodera-se a si mesmo comandando tanto aumento quanto preservação.
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Aumento e preservação possibilitam-se mutuamente.
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O que é aumentado é fundamentalmente o mesmo que o que é preservado.
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A vontade de poder move-se num círculo expansivo mas fechado da vontade de vontade.
A vontade de vontade, pensada dinamicamente, repete sempre o mesmo e, apesar do caráter extático, constitui uma espécie de encapsulamento do eu, não no sentido de exclusão do mundo, mas de expansão agressiva do território do eu para incluir o mundo no seu campo de poder, de modo que o querer quer aquele que quer e põe o querido como tal, alcançando o mundo como algo que ele põe como meio para o movimento de poder-aumento e poder-preservação.
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A vontade de vontade deve ser pensada dinamicamente.
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Dinamicamente, ela repete mais do mesmo.
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A vontade é o insaciável, sempre expansivo, porém sempre o mesmo, vontade de vontade.
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A vontade retorna continuamente sobre si mesma como o idêntico.
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A vontade é um encapsulamento do eu.
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O encapsulamento não é exclusão do mundo, mas expansão agressiva do eu.
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O território do eu inclui o mundo no seu campo de poder.
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O querer quer aquele que quer.
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O querer põe o querido como tal.
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O mundo é algo posto como meio para poder-aumento e poder-preservação.
Essa interpretação fenomenológica crítica da vontade de poder nietzschiana serve de base para a crítica heideggeriana a Nietzsche e, por ser considerada a culminação da metafísica ocidental e a introdutora da época atual da técnica, atua como contraponto para o pensamento tardio de Heidegger, no qual o caráter de posição e posicionamento da vontade, que representa seus objetos como meios para a própria segurança e aumento de poder, está no cerne do que Heidegger problematiza como Ge-stell da técnica.
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A interpretação da vontade de poder serve de base à crítica heideggeriana de Nietzsche.
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O pensamento de Nietzsche é visto como a culminação da metafísica ocidental.
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Esse pensamento anuncia a época atual da técnica.
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A interpretação atua como contraponto ao pensamento tardio de Heidegger.
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O caráter de posição e posicionamento da vontade é central no Ge-stell.
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A vontade representa seus objetos como meios para a segurança e aumento de poder.
Heidegger estabelece uma conexão explícita entre o momento de poder-preservação da vontade de poder e a redução tecnológica do mundo a fundo de reserva, pois a preservação do nível de poder alcançado consiste em o cercar-se de uma esfera circundante do que pode ser fiavelmente apreendido como algo por detrás de si, a fim de contender pela própria segurança, e essa esfera circundante delimita o fundo de reserva do que presença como imediatamente à disposição da vontade.
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O momento de poder-preservação da vontade de poder conecta-se à redução tecnológica do mundo.
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A preservação do poder consiste em cercar-se de uma esfera circundante.
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Essa esfera é composta do que pode ser fiavelmente apreendido como algo por detrás de si.
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A apreensão visa contender pela própria segurança.
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A esfera circundante delimita o fundo de reserva do que presença.
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O fundo de reserva está imediatamente à disposição da vontade.
Heidegger afirma que o domínio incondicional da razão calculadora na época da técnica pertence à vontade de poder, conectando assim a vontade de poder nietzschiana como vontade de vontade ao modo de desocultação dos entes denominado essência da técnica, e, diferentemente da crítica da técnica, que é uma preocupação central do Heidegger tardio, as teses de que o pensamento de Nietzsche é a culminação da metafísica e a forma última do niilismo atacam a autocompreensão do próprio Nietzsche.
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O domínio incondicional da razão calculadora pertence à vontade de poder.
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A vontade de poder como vontade de vontade conecta-se à essência da técnica.
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A essência da técnica é um modo de desocultação dos entes.
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A crítica da técnica é uma preocupação central do Heidegger tardio.
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A tese da culminação da metafísica em Nietzsche ataca a autocompreensão nietzschiana.
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A tese do niilismo como forma última ataca a autocompreensão nietzschiana.