ANEIGNUNG (2007)

DAVIS, Bret W. Heidegger and the will: on the way to Gelassenheit. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2007.

Também se poderia usar a expressão “apropriação extática” para caracterizar esse caráter duplo da vontade. Mas isso levaria a uma confusão, na medida em que a palavra “apropriação” é usada para traduzir o que, para Heidegger, é fundamentalmente diferente da vontade, o que para ele seria precisamente uma questão de não-vontade: o evento apropriador de Ereignis. Enquanto o Ereignis de Heidegger se referiria a uma a-apropriação que traria o que é apropriado à sua essência mais própria (ou seja, apropriada), isto é, deixaria ser, a apropriação voluntária — que geralmente seria traduzida para o alemão como Aneignung — é uma questão de assimilar à força um outro ao domínio do próprio governo. Dito isso, pode-se, no entanto, permanecer desconfiado, como Derrida, se o Ereignis de Heidegger está livre de todos os traços de uma Aneignung voluntária e se seu evento de apropriação, no final, deixa espaço para permitir que a alteridade do Outro seja. (O tema da Versammlung no pensamento de Heidegger é um ponto recorrente de questionamento crítico na série de ensaios “Geschlecht” de Derrida, bem como em sua obra Of Spirit: Heidegger and the Question, trad. Geoffrey Bennington e Rachel Bowlby (Chicago: University of Chicago Press, 1989).) Tentarei explicar e interpretar as sugestões de Heidegger sobre um sentido não voluntário de Ereignis no capítulo 8, antes de abordar, no capítulo 9, certos resquícios de uma “vontade de unidade” que permanecem em seu pensamento posterior.