Essa démarche progressiva-regressiva encontra seu acabamento na conferência “Tempo e Ser”.
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Ela conclui numa comunhão do si-mesmo e do dom, afirmando que só resta uma coisa a dizer: das Ereignis ereignet, há o “il y a”, o dom dá, o Acordo concede.
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A palavra do si-mesmo não se tornando doravante senão o porta-voz da Palavra.
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Pensar o ser propriamente demanda que se abandone o ser como fundo do estado, em favor do dar que joga em retirada na liberação do retiro, isto é, em favor do Es gibt.
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O ser, enquanto doação, não é repelido fora do dar.
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O ser, desdobrar-se-em-presença, torna-se totalmente outro.
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Enquanto deixar-se-desdobrar-na-presença, ele tem seu lugar na liberação fora do retiro.
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Mas enquanto dom dessa liberação, ele permanece retido no dar.
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É precisamente esse dar que deve ser acolhido em seu mistério pelo pensamento.
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É sobre esse dar que nosso pensamento, que busca o fundamento da realidade humana ou o da estrutura do ipse, deve debruçar-se.
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O objetivo é pensar o dom em estado puro e encontrar a partir dele o Ereignis.
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Desse modo, o pensamento vê a si mesmo como inscrito na essência do dom e constata sua própria estrutura como a resposta dada que deixa ser o dom.
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Nosso objetivo é pensar a dispensação enquanto tal para ver como seu gesto, que é dom puro articulado como Ereignis, retoma nele o si-mesmo e realiza todo pensamento do si-mesmo.