O pensamento não constitui um atributo do ser-humano, mas é, originariamente, um acontecimento do ser, um prolongamento do alétheia.
A ipseidade (ipséité) do homem não significa a constituição de um eu substancial ou a inserção em uma comunidade de eus.
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O que confere ipseidade é estar voltado para o ser, que é sua origem e elemento próprio.
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É através do ser que o si-mesmo pronuncia a palavra mais misteriosa: “eu sou eu”, em uma margem de transcendência.
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A metafísica tradicional falha ao não questionar a verdade do ser como tal, reduzindo o ser ao ente e, consequentemente, o si-mesmo a um mero eu (moi).
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Esta redução é representada pela definição do homem como animal rationale, onde a razão é um acréscimo externo a um ente.
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Ao interrogar o ser apenas como ser do ente, o pensamento se afasta de sua origem.
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Esta situação é alarmante para o si-mesmo, que é depositário do ser, mas ao buscar no ente, perde a memória deste dom.
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A essência do homem se mostra como o *rapport* que abre o ser ao homem, conforme o conceito heideggeriano de existência.