Aletheia

Taylor Carman. WRATHALL, Mark A. The Cambridge Heidegger Lexicon. Cambridge New York (N.Y.): Cambridge university press, 2021.

1. A tradução do termo grego “aletheia” como “verdade” não apresenta maiores dificuldades ou controvérsias, embora a transposição de palavras do grego antigo para línguas modernas frequentemente demande precisão.

2. A crítica de Heidegger ao conceito de verdade se desdobra em duas reivindicações centrais, sendo a primeira de ordem transcendental e a segunda de ordem histórica.

3. A posição de Heidegger acerca da transformação histórica do conceito de verdade sofreu uma revisão tardia, sobretudo a partir de críticas como a de Ernst Tugendhat, levando-o a reconhecer que a palavra não significava exclusivamente desencobrimento antes do século IV a.C. e que sua própria equiparação terminológica entre aletheia e verdade fora inadequada e enganosa.

4. Mesmo na leitura mais conservadora da revisão tardia de Heidegger, fica clara a retratação de uma parte importante de sua posição anterior, especificamente a reivindicação histórica de que aletheia passou a significar correção apenas na época de Platão, uma vez que ele próprio reconhece que a experiência original da aletheia como abertura da presença já se dava como orthotes, como correção da representação e da asserção, tornando insustentável a tese de uma transformação essencial da verdade de desencobrimento para correção.

5. Independentemente da admissão de que a palavra aletheia não adquiriu um significado inteiramente novo no século IV a.C., permanece válida a possibilidade de que ela possuísse um conteúdo mais amplo e rico no período arcaico do que as palavras equivalentes em outras línguas (veritas, vérité, Wahrheit) vieram a ter posteriormente, especialmente no discurso filosófico e científico.