CRIATIVIDADE (2025)

Byung-Chul Han. Contro la società dell’angoscia. Torino: Einaudi, 2025

* Ser livre significa ausência de coerções, porém no regime neoliberal a liberdade produz coerções internas e não externas, pois a coerção de performance e de otimização são coerções da própria liberdade, levando liberdade e coerção a colapsarem, e a submissão ocorre livremente à obrigação de ser criativo, prestante, performante e autêntico.

* A criatividade frequentemente invocada impede a emergência do radicalmente Outro ao alinhar-se a nova produtividade e operar como dispositivo neoliberal com coerção interna voltada ao incremento produtivo, de modo que o “novo” produzido não é o totalmente Outro, mas continuação do Igual, não gerando forma de vida além de produção e consumo e assumindo por fim a forma do consumível.

* O pathos moderno da novidade radical é estranho ao dispositivo pós-moderno da criatividade, pois na modernidade clássica vigora ambição de recomeçar do zero e iniciar pelo Novo, limpando o campo, e Benjamin menciona artistas e escritores que se despedem da burguesia antiquada para voltar-se ao homem nu do tempo presente como recém-nascido em faixas sujas, enquanto a criatividade pós-moderna não visa nova nascitura e carece de ardor pelo Novo, produzindo apenas variações do Igual.

* A autocriação e autorrealização criativa assumem caráter de coerção ao conduzir à auto-otimização e ao autoesgotamento até a morte sob ilusão de realização, intensificando angústia e culminando em depressão, enquanto a autocriação funciona como autoexploração a serviço do aumento de produtividade.