Identidade Humana

BUZZI, Arcângelo. A Identidade Humana. Petrópolis: Vozes, 2002.

Preâmbulo

Prefácio — O surto da identidade humana

Conclusão — O ocaso da identidade humana


Preâmbulo

“A identidade humana compreende sempre todo existente em seu modo próprio de existir” (Aristóteles, De anima, F 8, 431 b 21).
“Em seu modo de existir, a identidade humana tem a capacidade de conviver com todo existente” (Tomás de Aquino, De Veritate, qu. I a. 1 c).

O ser da identidade humana provê cada diferença do logos, isto é, da capacidade de conhecer e de praticar, nos diversos cenários de sua existência, a decisão de unir Identidade e Diferença num comum-pertencer!

Desde os tempos mais antigos, o logos, isto é, a egrégia capacidade de conhecer, foi considerada salvaguarda da identidade humana na decisão de pertencer ao ser. No simples ato de pensar, cada diferença humana efetua sua pertença a um mesmo e comum-ser.

“…pois o mesmo é pensar e ser” (Parmênides, 540-450 a.C. fragm. 3).

Isto significa que, no ato de pensar, cada diferença se demora no sereno conhecimento e conseqüente decisão de pertencer a um ser-comum, princípio de unidade do múltiplo diverso, supercausa da perfeita comunidade.

O tempo todo, porém, bem antes de qualquer conhecimento explícito, na cultura de usos e costumes, nas lutas do amor, nas fadigas do trabalho, nos sofrimentos da vida e na recusa da morte, a identidade humana, na floração de cada diferença, sempre questionou a ancoragem de sua existência, quer dizer, sempre procurou escutar o apelo de fazer parte a um comum-pertencer.

“No homem impera um pertencer ao ser; este pertencer escuta o ser, porque a ele está entregue como propriedade” (Heidegger, M. Identidade e diferença. São Paulo 1978, p. 59).