Se tais pressupostos forem falsos, a necessidade de prova desaparece, pois o mundo consiste em equipamentos prontos encadeados em ordens ancoradas em um para-quê projetado pelo Dasein, e sem Dasein não há para-quê nem mundo, enquanto, reciprocamente, o Dasein só é si mesmo ao assumir finalidades realizadas por tarefas com ferramentas apropriadas, de modo que ser-si é ser-no-mundo, como já indicado ao afirmar que a mundanidade é existencial e que “mundo” caracteriza o próprio Dasein (
SZ:64), razão pela qual o Dasein, corretamente compreendido, já é aquilo cuja prova se pretende (
SZ:205).
-
Mundo é descrito como rede de equipamentos e ordens.
-
O para-quê é projetado pelo Dasein.
-
Sem Dasein não há mundo.
-
O Dasein só é si ao assumir finalidades práticas.
-
Tarefas e ferramentas são condições dessas finalidades.
-
A mundanidade é qualificada como existencial (
SZ:64).
-
Mundo caracteriza o próprio Dasein (
SZ:64).
-
O Dasein já é o que as provas tentam demonstrar (
SZ:205).
-
A imagem de “provas ambulantes” ilustra a inseparabilidade.
-
O segundo tema é a noção tradicional de realidade como o mundo “em si”, culminando no ontos on de
Platão, concebido como independente de nós, de modo que interações e percepções seriam apenas qualidades secundárias subjetivas, como se, na ausência de Dasein, tudo retornasse à mera presença-à-mão, ideia já recusada ao negar que a prontidão fosse simples coloração subjetiva (
SZ:71).
-
Ontos on de
Platão é citado como realmente real.
-
Realismo tradicional privilegia independência de nós.
-
Qualidades secundárias são tidas como projeções subjetivas.
-
A hipótese de desaparecimento do Dasein é usada como teste.
-
A recusa da “coloração subjetiva” é citada (
SZ:71).
-
A ontologia fenomenológica rejeita tal linha ao sustentar que o real é o que e como é experimentado, de modo que a prontidão-à-mão define as entidades como são “em si mesmas” (
SZ:71), e embora dependa do Dasein, essa dependência não constitui defeito ontológico, sendo apenas aparente inferioridade quando a presença-à-mão é tomada como paradigma e os demais modos são definidos negativamente em relação à Realidade (
SZ:201).
-
Realidade é vinculada à experiência fenomenológica.
-
A prontidão define o “em si” (
SZ:71).
-
A dependência do Dasein não é falha ontológica.
-
A inferiorização surge do paradigma da presença-à-mão.
-
Outros modos são definidos privativamente face à Realidade (
SZ:201).
-
A presença-à-mão, longe de paradigma seguro, é enganosa porque parece independente após o corte das linhas de significação, mas o ser é manifestação na clareira como pronto-à-mão, presente-à-mão e existente, todos modos de aparecer, sendo que a presença aparece como se não precisasse aparecer, exigindo interpretação hermenêutica que reconhece tratar-se de significado dependente de compreensão, razão pela qual “a realidade só é possível na compreensão do Ser” (
SZ:207), como também observa Bernard Williams ao falar do que “está aí de qualquer maneira”.
-
A independência aparente decorre do isolamento das significações.
-
Ser é tornar-se manifesto na clareira.
-
Três modos fundamentais são listados.
-
A presença aparece como autossuficiente.
-
A fenomenologia hermenêutica exige interpretação da experiência.
-
Os três modos são significados dependentes de compreensão.
-
A tese da dependência da realidade da compreensão é citada (
SZ:207).
-
Bernard Williams é mencionado na expressão “está aí de qualquer maneira”.
-
A conclusão paradoxal afirma que a independência do Dasein é um significado dependente do Dasein, pois apenas enquanto o Dasein compreende objetos presentes eles podem parecer não precisar do Dasein para existir, necessitando do Dasein para não necessitar dele.
-
Independência é qualificada como significado.
-
O modo de ser é dependente do Dasein.
-
A aparência de não-dependência ocorre somente com Dasein.
-
Formula-se a dependência para a própria não-dependência.
-
A passagem citada (
SZ:212) sustenta que somente enquanto o Dasein existir e a compreensão do Ser for onticamente possível “existe” o Ser, e que, na ausência do Dasein, não se pode dizer que os entes são nem que não são, ao passo que, enquanto houver compreensão da presença-à-mão, pode-se afirmar que as entidades continuarão a ser, mostrando que a aplicabilidade de termos significativos depende do Dasein.
-
A condição é a existência do Dasein e da compreensão do Ser.
-
Sem Dasein, independência e “em-si” não “são”.
-
Não se pode afirmar ser ou não-ser sem Dasein.
-
Com compreensão da presença-à-mão, pode-se afirmar continuidade.
-
A aplicabilidade de termos significativos é dependente.
-
Uma interpretação comum distingue entes independentes do Dasein e ser dependente dele, apoiando-se na frase “O Ser (não os entes) depende da compreensão do Ser; isto é, a Realidade (não o Real) depende do cuidado” (
SZ:212), mas essa leitura é rejeitada porque os entes não podem ser sem modo de ser, e a própria subsistência (Vorhandenheit) enquanto Realidade é explicitamente dependente do Dasein.
-
A leitura distingue entes e ser.
-
A frase sobre dependência do Ser e da Realidade é citada (
SZ:212).
-
A discussão da independência contextualiza a frase.
-
Entes não existem sem modo de ser.
-
Subsistência é identificada com Vorhandenheit.
-
A Realidade é explicitamente dependente do Dasein.