A física matemática moderna, foco central do §69b, reinterpreta os entes como presentes à mão
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Na asserção física de que o martelo é pesado, ignora-se não apenas o caráter de ferramenta do ente encontrado, mas também algo que pertence a todo equipamento à mão, seu lugar, uma vez que os utensílios sempre pertencem a algum lugar, como ferramentas na caixa de ferramentas ou copos no armário
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A física moderna rejeita a visão aristotélica de que os elementos têm um lugar próprio ou natural, como o ordenamento estratificado de terra, água, ar e fogo, de modo que o lugar de um ente se torna uma posição espaço-temporal, um ponto-de-mundo, de modo algum distinto de qualquer outro
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O despojamento do caráter de envolvimento (
Bewandtnis) do que está à mão é descrito como desmundanização (
Entweltlichung), processo pelo qual a física matemática moderna desmundaniza os entes, afastando-se das características que fazem de um ente o utensílio específico que é, para atentar às feições matematicamente determináveis dentro do espaço de possibilidades projetado por sua compreensão de ser
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A compreensão de ser que orientava o lidar preocupado com os entes intramundanos se transformou
A objeção de que a ciência natural procederia sempre de uma desmundanização dos utensílios do ambiente imediato, quando na verdade por vezes surge do assombro ou da curiosidade diante do mundo natural, é respondida lembrando que a natureza entra na experiência primeiramente como algo à mão, campo para plantar, força do vento, sol para o cultivo e para marcar o tempo, e por vezes como obstáculo, como uma tempestade da qual se abriga ou uma montanha que barra o caminho, de modo que mesmo o assombro e a curiosidade, ao conduzirem à investigação científica natural, envolvem uma desmundanização da natureza disponível no ambiente mundano imediato
Se a transformação da compreensão de ser não constitui a investigação teorética, o que a constitui é examinado a partir do exemplo do martelo, cuja substituição de uma conceitualidade por outra não vale para qualquer substituição, como tratar o martelo como obra de arte encontrada segundo a conceitualidade do minimalismo artístico, o que não conta como investigação teorética, distinguindo-se esta por deixar o modo de ser dos entes que estuda ser compreendido explicitamente
A articulação expressiva da compreensão de ser, a delimitação de uma área de assunto guiada por essa compreensão, e o esboço do modo de conceber apropriado a tais entes pertencem à totalidade desse projetar, totalidade que se denomina tematização
A investigação teorética tematiza, atenta ao arcabouço conceitual que emprega e circunscreve cuidadosamente os objetos de sua atenção para garantir um foco de estudo bem definido, sendo por isso disciplinada, ainda que isso não seja suficiente
A investigação teorética exibe ainda um tipo de pureza, cujo objetivo é libertar os entes que se encontram intramundanamente, de modo que possam lançar-se contra um descobrimento puro, isto é, que possam ser objetos, pois tematizar objetiva
O sentido dessa pureza do descobrimento teorético não corresponde a um descobrimento livre de compreensão interpretativa, algo inexistente no arcabouço heideggeriano, mas antes à possibilidade de a investigação científica ser por si mesma, não subordinada a nenhum fim prático ulterior
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O foco temático da ciência na clareza de sua conceitualidade e no alcance de seu domínio de investigação reflete essa liberdade em relação a fins ulteriores, de modo que, dada a concepção existencial da ciência, o para-o-bem-do-qual (
Worumwillen) de ser um pesquisador científico ou acadêmico não é intrinsecamente subserviente a nenhum outro para-o-bem-do-qual, podendo ser um modo pelo qual o ser-aí é em vista de si mesmo