HUMOR/DISPOSIÇÃO (BEFINDLICHKEIT) (2006:76-84)

BLATTNER, William D. Heidegger’s Being and time: a reader’s guide. London: Bloomsbury, 2006.

Assim, os estados de espírito (Befindlichkeit) (1) revelam importações, (2) funcionam como atmosferas, (3) revelam “como nos encontramos”, (4) são passivos, (5) têm objetos, e (6) co-constituem o conteúdo da experiência.

(…)

Assim, não só os estados de espírito e as emoções, mas também as sensibilidades e as virtudes (bem como os vícios), partilham algumas das características críticas em que Heidegger está interessado sob o título disposição e estado de espírito ou tonalidade afetiva. A função reveladora fundamental da disposição é dar o tom da experiência, servir como uma atmosfera na qual a importação de situações e objetos é revelada e através da qual somos informados sobre como “estamos dispostos”. A descrição que Heidegger faz dos estados de espírito não é nítida e cristalina; não distingue corretamente os estados de espírito das emoções e algumas das suas análises parecem artificiais (como a estrutura tripla de um estado de espírito). No entanto, a sua ideia básica é suficientemente clara: uma das facetas básicas da revelação do mundo na nossa experiência é a nossa sintonia com o que se importa e com a forma como a gente se encontra.