Quanto à evolução interna do próprio Heidegger, distingue-se um primeiro grande período culminando em Ser e Tempo, uma nova etapa iniciada em 1930 com Da essência da verdade, a Kehre em 1936, e a filosofia tardia com os conceitos de Ereignis, Geviert, Ding, Seinsgeschick
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os cursos de 1933-34 sobre
Hölderlin marcando a primeira vez que um poeta e não um filósofo é tema de curso, tornando-se central o diálogo entre poesia e pensamento
A filosofia tardia possui certa unidade refletida nos conceitos de Wohnen, Lichtung, Gestell, na interpretação da técnica como culminação da metafísica e do niilismo como ocultação do ser
Quanto ao fracasso do primeiro início, Heidegger pensa que há uma espécie de subtração ou retirada do ser, dupla dimensão em que a alétheia desaparece e isso se dá também pela intervenção do homem
A continuidade entre o primeiro e o segundo início reside em que a condição para este é a compreensão da história da metafísica, não podendo o outro início ser tentado sem antes pensar tudo o que ela contém
Quanto à citação de
Hölderlin sobre o perigo e o que salva, o entrevistado expressa dúvidas pessoais, pois o perigo sozinho não basta para que aconteça uma virada salvadora, podendo o perigo já ser tão grande que torne impossível um giro retificador
Heidegger recorre à poesia e à arte porque nelas o acontecimento da verdade sucede de forma mais decisiva, explicando isso sua proximidade com
Hölderlin, poeta não-metafísico, chamando o entrevistado
Heráclito e
Hölderlin de interlocutores privilegiados de Heidegger
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o novo vocabulário da arte, palavras como habitar ou pátria, não vindo da metafísica, devendo assinalar a outra relação com o ser
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Heidegger conhecendo bem a poesia e, em pintura, sobretudo Klee e também Picasso
Quanto à ausência de ética em Heidegger, a questão decisiva era ver como o homem entra em relação com o ser de modo a possibilitar um habitar autêntico, deixando então de se colocarem as questões éticas clássicas
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não se tratando de mero saber platônico, mas de realização efetiva dessa relação devida com o ser, havendo já em Ser e Tempo certa ética nas análises sobre a assistência ao outro
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a diferença clássica entre filosofia teórica e prática desaparecendo porque, para Heidegger, o pensar autêntico já é ação
Quanto a Heidegger e a política, é manifesto que em 1933 ele teve a ilusão de uma verdadeira revolução, tendo se deixado levar a ponto de dar conferências hoje incompreensíveis, embora o discurso de reitorado não fosse nacional-socialista no sentido corrente por seu núcleo ser o conceito de alétheia