Heidegger não despreza a Escolástica, que foi um pensamento de ponta em seu tempo, mas, ao contrário de Gilson, que a vê culminar com
Tomás de Aquino, Heidegger coloca mais alto
Agostinho, cuja doutrina da criação “do nada” aparece como uma etapa intermediária entre a antiguidade e o pensamento por vir.
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Heidegger considera
Agostinho uma “cabeça especulativa” e lhe presta homenagem na conferência “O que é metafísica?”, onde a criação “do nada” é uma etapa intermediária entre a antiguidade e o pensamento vindouro, e ele afirma que, sem sua proveniência teológica, nunca teria chegado ao caminho do pensamento.
Heidegger não coloca o cristianismo “debaixo do alqueire”, e afirma que a palavra do Evangelho é mais próxima da palavra grega do que a dos filósofos medievais, que a interpretaram com um material de conceitos derivados e desviados do grego, e ele guarda um velho amor pela teologia.
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Heidegger declara que, se um dia escrevesse uma teologia, o termo “ser” não poderia de modo algum intervir, pois a fé não precisa do pensamento do ser, e quando recorre a ele, já não é mais fé, sendo a experiência de Deus e de sua manifestidade algo que relampeja na dimensão do ser, sem que o ser possa ser um predicado de Deus.