A teoria do metabolismo de Jonas revela uma ideia tradicional da vida como luta pela conservação, como sobrevivência, cujo único fim é a conservação do ser vivo, sendo a vida o que se pressupõe a si mesma e o que não pode ter sentido, e essa ideia da vida é correlativa a uma maneira de abordá-la a partir da relação com a morte, no horizonte de sua destruição.
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A descrição de Jonas se baseia em uma ontologia da morte, pois ele não pensa a vida a partir de si mesma, mas a partir de seu outro, como uma negação que não tem mais sentido que seu próprio exercício, e a relação do ser vivo com o não ser é problemática, pois a ameaça objetiva de destruição não implica que o vivo sinta uma relação com o não ser como tal.
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A tensão entre ser e não ser que Jonas introduz na existência vital só é pensável se o não ser for constitutivo do modo de existir do vivo, como um defeito fundamental, e não uma falta objetiva, mas essa negatividade introduzida na existência vital exige uma renúncia à abordagem objetiva e à teoria do metabolismo como atividade restauradora, pois a vida não pode consistir apenas em perseguir substâncias para colmatar uma falta.
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O pressuposto fundamental da descrição de Jonas é que o ser vivo se caracteriza por ser um indivíduo, uma totalidade que deve ser incessantemente restaurada, e a individuação do vivo, compreendida como ato de separação, é a expressão de seu desengajamento da natureza, o que faz com que a vida seja definida como negação da morte e situada no interior de uma natureza objetiva, repetindo o gesto inaugural da ontologia da morte.
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Jonas, ao abordar a vida a partir do que não é ela, a partir do inerte, define a vida como oposição à sua própria negação, e essa dupla negação circunscreve o espaço de uma ontologia da morte, que é o outro nome da ontologia realista ou naturalista, e a irredutibilidade ontológica do vivo só pode ser fundada em um ato que remete a um si-mesmo, o que leva Jonas a uma metafísica dualista.
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Para acessar o sentido do ser da vida, é necessário efetuar uma epoché da morte, suspendendo tanto a morte à qual a vida está exposta quanto a ontologia naturalista da qual procede essa definição da vida, partindo da vida do vivo e não de sua morte possível, nem do mundo natural do qual se supõe que a vida surge.